A Voz da Nossa História

Ana Carolina da Costa e Fonseca, diretora da Editora UFCSPA, fala sobre sua visão acerca da atuação das editoras universitárias

Cadastrado em 04/09/2017 18:07
Atualizado em 11/09/2017 17:21

Notícia por ABEU

A Voz da Nossa História

Chegamos a mais uma semana da coluna A Voz da Nossa História, continuando a apresentar as ideias, percepções e trajetória daqueles que ajudaram a consolidar a ABEU nesses 30 anos. Desta vez conversamos com mais uma personalidade que faz parte da nossa história recente: Ana Carolina da Costa e Fonseca, diretora da Editora UFCSPA, uma das últimas editoras a se associar à ABEU.

Doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e graduada em Ciências Jurídicas e Filosofia pela mesma instituição, Ana Carolina da Costa e Fonseca atua como professora de Filosofia na Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Na entrevista, conhecemos sua visão nobre sobre a atuação das editoras universitárias: são entidades que, mantidas com dinheiro público, têm o dever não de buscar o lucro, mas de devolver à sociedade o conhecimento produzido nas instituições de Ensino Superior. A Editora UFCSPA traz uma proposta voltada totalmente para a difusão do conhecimento, uma vez que publicam apenas em formato eletrônico obras em acesso aberto. Abaixo você confere a entrevista completa.

1) Profa. Ana Carolina, a Editora UFCSPA é uma das mais recentes associadas da ABEU. O que levou à decisão de fazer parte da nossa Associação?

Associações reúnem indivíduos e instituições com interesses comuns; no caso da ABEU, editoras universitárias. Esperamos, com nossa associação à ABEU, apreender com o intercâmbio de práticas desenvolvidas por outras editoras universitárias que, assim como a Editora da UFCSPA, trabalham para produzir bons livros num cenário, hoje, muitas vezes, pouco favorável. Além disso, esperamos que a recente associação à ABEU contribua para divulgar nosso trabalho, especialmente no que tem de inovador. Nossa Editora é pequena e não possui orçamento próprio, tendo todas as suas atividades desenvolvidas por professores e técnicos já vinculados à UFCSPA, que acreditam no projeto e na possibilidade de publicação de obras interessantes e importantes, ainda que sem verba.

2) A ABEU possui diversas ações em prol da difusão do livro universitário e que visam à integração das demais editoras brasileiras que atuam neste nicho. Qual a sua expectativa com a filiação à Associação, em relação aos ganhos que a editora pode
passar a ter?

A Editora da UFCSPA não comercializa livros, apenas publica livros em formatos eletrônicos para distribuição gratuita na rede, por meio da página da Universidade. Dessa forma, os ganhos da filiação da Editora à ABEU não são financeiros, mas simbólicos, tanto no que diz respeito à divulgação e à promoção do nome da Editora, que ainda é pequena, quanto à de suas ideias. Assim, espera-se dar acesso à população em geral ao que é produzido na academia, fortalecendo tais acessos e divulgações mediante parcerias que a ABEU pode proporcionar entre a Editora da UFCSPA e outras editoras universitárias.

3) Por outro lado, como a Editora UFCSPA poderá se integrar à rede de editoras universitárias e que contribuições ela traz para o nosso mercado?

Acreditamos que a melhor contribuição que podemos dar à ABEU é a nossa proposta de oferta de livros à comunidade, que é, por um lado, diferente de boa parte das ofertas correntes. Concebemos uma editora que funciona com pessoas que estão comprometidas com a ideia de publicar livros com o custo mínimo de trabalho, sem custos de impressão, seja para a instituição ou para o autor, apesar de facultarmos aos autores a possibilidade de impressão gráfica, caso desejem. Acreditamos em um caráter altruísta do trabalho. É uma maneira de lembrar-nos da missão primária de uma editora universitária, que deve primariamente prezar pelo retorno à sociedade do conhecimento, que foi, no caso de uma universidade federal, produzido com dinheiro público.

4) Em 2017, a ABEU completa 30 anos. Para uma editora recém-chegada, o que esperar do futuro da Associação?

Esperamos que a ABEU seja capaz de se adaptar ao futuro. O mercado editorial está mudando muito e rapidamente. Os leitores são outros, os autores são outros. O papel já não é mais o único suporte para as ideias que são reunidas por seus autores para publicização. Há cada vez mais aparelhos eletrônicos para a leitura de livros e o modo de conhecer os lançamentos mudou, ainda que muitas tendências, em contrapartida, resistam. Parece-nos que resta à ABEU e a seus afiliados encontrar novas ferramentas para avaliar e responder às inovações.

 


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