A Voz do Profissional

Pesquisadora e professora da Fiocruz, Marilia Sá Carvalho, comenta sobre a manutenção de periódicos científicos no Brasil

Em 23/04/2018 11:31
Atualizado em 23/04/2018 14:59

Entrevista por ABEU

A Voz do Profissional

Continuamos com a nossa série de entrevistas na coluna A Voz do Profissional, trazendo breves conversas com os palestrantes convidados do 1º Seminário Brasileiro de Edição Universitária e Acadêmica e da 31ª Reunião Anual da ABEU, que ocorrem entre 22 e 25 de maio.

 

Desta vez falamos com Marilia Sá Carvalho, que integrará do painel “Roda de conversa – quais veículos, quais incentivos?”. Pesquisadora e professora da Fiocruz, é editora associada da revista PLoS Neglected Tropical Diseases e editora-chefe do periódico Cadernos de Saúde Pública, além de autora de livros. Graduada em medicina, mestre em saúde pública e doutora em engenharia biomédica, Marilia Sá Carvalho tem como principais áreas de interesse a epidemiologia ambiental e os estudos longitudinais. Na entrevista falamos sobre os desafios para se manter periódicos científicos no Brasil e qual o papel desta mídia na divulgação do que  é produzido nas universidades.

 

O público do site da ABEU é diverso e agrega tanto profissionais do mercado editorial quanto leitores em busca de referências de livros em suas áreas de atuação acadêmica. Como editora associada e editora-chefe de dois periódicos, poderia esclarecer o que é preciso, hoje, para viabilizar a publicação desse tipo de mídia?

 

Posso falar apenas pela revista da qual sou editora-chefe, os Cadernos de Saúde Pública. É fundamental o apoio institucional que temos na Escola Nacional de Saúde Pública/Fundação Oswaldo Cruz. É necessário, considerando só desafios de publicação eletrônica, de suporte de informática, tanto para o sistema de submissão e avalição dos artigos quanto para o site da revista. Nos Cadernos temos um sistema próprio de submissões (o SAGAS), desenvolvido ao longo de diversos anos, que é excelente. O site da revista foi renovado, quando passamos a ter apenas publicação on-line. Estamos ainda em fase de melhoria.

 

No âmbito da divulgação da produção científica e acadêmica, os periódicos e as editoras universitárias desempenham papéis complementares? Você acredita que cada um age de maneiras distintas para o mesmo fim da promoção do conhecimento?

 

Papéis complementares, claro. Livros falam de conhecimento acumulado, apresentado de forma mais ampla e profunda. Artigos são mais imediatos.

 

Talvez este seja um debate que englobe as pesquisas no Brasil como um todo, mas, hoje, quais os principais desafios para manter vivas as publicações científicas, diante de um quadro de restrição de recursos nas instituições de Ensino Superior? Se não forem os periódicos, que outras formas os pesquisadores têm de divulgar seus trabalhos?

 

Em parte respondido na pergunta 1. Além disso, temos que considerar a emergência dos sites de preprints, como o bioRxiv, por exemplo. Esse meio pode impactar a pesquisa na área, como já ocorre na área da Física e como foi essencial no estudo da epidemia de Zika. 


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