Catálogo Universitário

Em um mês trágico, livros sobre questões de gênero são mais necessários do que nunca

Em 19/03/2018 14:58
Atualizado em 19/03/2018 17:56

Entrevista por ABEU

Catálogo Universitário

No ano passado, a coluna Catálogo Universitário do mês de março trouxe sugestões de leitura de nossas associadas relacionadas às questões de gênero e de luta pelos direitos das mulheres. Em 2018, havíamos planejado apresentar dicas de livros sobre um outro assunto, mas os acontecimentos da última semana, com o assassinato da vereadora Marielle Franco e as consequentes reações nas redes sociais, mostraram como este é um tema que deve ser constantemente revisitado. Por isso, para manter vivo o debate e contribuir para as reflexões que este mês suscita, você vai poder conferir mais publicações que trazem a mulher para o centro da discussão, incluindo um título da Edfuba que contém um artigo da própria Marielle Franco.
 
Então, já que mencionamos, vamos começar por ele: a obra "O Golpe na perspectiva de Gênero", organziada por Linda Rubim e Fernanda Argolo e publicada pela Edufbabusca apresentar o impacto do afastamento da presidenta Dilma Rousseff há quase dois anos. O saldo hoje é de enfraquecimento da participação feminina no primeiro escalão do Governo, assim como de desmonte das estruturas especiais, principalmente para mulheres. Além disso, as autoras também dão destaque para o processo histórico de inserção feminina no espaço político e como ele tem sido marcado por uma dinâmica de avanços e retrocessos. Neste título, Marielle Franco escreveu o artigo "Mulher, negra, favelada e parlamentar: resistir é pleonasmo".
 
Já o livro "Biografia de Mulheres", da EdUECE, é composto por uma coletânea de oito capítulos que centraram foco na vida e elaborações históricas de mulheres comuns ou com parca visibilidade, de maneira renovada, na contramão da história positivista, ensejando luz ao silêncio e a invisibilidade das mulheres. Não se dedica à história oficial de países ou regiões, nem valoriza uma cronologia linear, mas, sem ignorar esses aspectos, vislumbra a importância da contribuição feminina na narrativa histórica ao lançar crítica as desigualdades de gênero nesse campo do conhecimento. Ao optar pelo método biográfico, foi possível permitir ao leitor a compreensão de trajetórias indissociáveis de mulheres em diversos campos de atuação, considerando suas vidas e experiências cotidianas no imbricamento com a cultura socialmente instituída, em lugares e tempos diversos, colaborando com uma perspectiva que valoriza o gênero feminino na elaboração da historiografia brasileira. 
 
Por fim, "Dicionário Feminino da Infâmia: acolhimento e diagnóstico de mulheres em situação de violência"da Editora Fiocruz, traz um rico panorama dos conceitos recorrentes na pauta feminista e das mulheres e vai além, apresentando temas e significados em sua dimensão histórica, política e social. Estão explicados fenômenos que envolvem os vários aspectos, tipos e cenários das violências e também formas de resistência, além de informações sobre análises científicas que ampararam a criação de procedimentos, normas, abordagens e técnicas que hoje estão regulamentados e em funcionamento em diversos setores públicos de forma regular e/ou ainda embrionária. Além disso, houve uma preocupação importante: passar aos leitores as mais importantes noções sobre conceitos de liberdade, direitos humanos, justiça, aspectos da educação masculina que levam à prática da violência e outros temas. O ‘Dicionário’ é o resultado de um trabalho que reuniu muitas vozes: mais de cem colaboradores, pesquisadores e/ou profissionais de universidades, agências governamentais, serviços públicos de saúde, seguridade social, segurança pública, jurídico-policiais e organizações não governamentais trabalharam coletivamente na escolha de verbetes significativos e na elaboração dos mesmos.
 
E poderíamos continuar trazendo muitas outras indicações sobre o tema. No catálogo unificado presente no site da ABEU é possível encontrar mais de 20 páginas de resultados para o termo "mulher". Portanto, o conhecimento está posto. Basta colocar o debate em prática.


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