Catálogo Universitário

Pensamentos sobre o autoritarismo brasileiro no acervo das nossas associadas

Em 22/07/2018 23:37

Opinião por ABEU

Catálogo Universitário

Diante de toda turbulência política vivida no Brasil, muito se discute sobre como as eleições de 2018 serão um teste para a democracia do país. Afinal, com o acirramento da rixa ideológica nos últimos anos, os discursos dos lados opostos do espectro político foram se radicalizando cada vez mais, permitindo, inclusive, o ressurgimento de partidários de uma intervenção militar. Seja como alerta sobre um modelo político ditatorial, seja para enriquecer o debate em um ano tão decisivo, trouxemos na coluna Catálogo Universitário sugestões de leitura sobre autoritarismo no Brasil. No acervo das nossas editoras universitárias associadas é possível encontrar análises e pesquisas que trazem à tona as marcas que as intenções autoritárias deixaram no país.

Para começar, temos o título “Bases do autoritarismo brasileiro”, publicado pela Editora Unicamp. O livro foi um divisor de águas na compreensão histórico-política do Brasil. Nos anos 1970, quando surgiu, o livro se fez portador de uma salutar advertência: a de que a redemocratização institucional seria apenas o imprescindível primeiro passo na construção da democracia brasileira. Por esse caminho, Simon Schwartzman contrapôs-se às duas principais tendências interpretativas da época: à historiografia marxista, para a qual tudo se resumia na falta de amadurecimento das classes sociais, e à tese de um Estado todo-poderoso, sobranceiro à sociedade. Distinguindo-se dessas duas tendências, o presente livro, em boa hora reeditado, surgiu como uma inovadora e abrangente reorganização das abordagens teóricas então disponíveis.

“Comunicação e autoritarismo no Brasil: a política de comunicação do regime militar”, da Editora UFRB, apresenta o regime militar representa como um dos períodos mais sombrios da história política brasileira. Em duas décadas de controle armado do Estado, os militares implantaram uma forma de governo burocrática e autoritária, que, além de restringir a participação social, centralizava as decisões no âmbito do executivo, relegando a condições submissas os demais poderes. Um dos setores estratégicos à tentativa de legitimação da doutrina autoritária foi o sistema de comunicação. O governo investiu pesado em seu desenvolvimento técnico e estrutural, ao passo que criou regras rígidas de censura e controle. Inspirado em tese uma defendida pelo autor, Maurício F. Silva, o livro procura resgatar a política de comunicação adotada durante a ditadura militar. Para tanto, além do desenvolvimento dos meios de comunicação no país, analisa as circunstâncias políticas que culminaram no golpe.

Em “Autoritarismo e corporativismo no Brasil”, da Editora Unesp, para oferecer uma perspectiva crítica em que se pensa o mundo contemporâneo de forma lúcida e clara, Evaldo Vieira retorna aos escritos de Francisco José de Oliveira Vianna para desnudar o pensamento autoritário brasileiro. Ao se debruçar sobre a concepção de Estado Corporativo de Oliveira Vianna, o autor escreve um importante capítulo da história das ideologias políticas no Brasil, analisando as intenções e o alcance de um discurso de civismo pedagogo e edificador da nação.

Ao fim, nossa expectativa é que, através do acesso ao livro, possamos fazer escolhas mais lúcidas em nossos processos políticos.

 

 


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