Catálogo Universitário

Leituras para o mês do Dia Internacional da Mulher

Em 25/03/2019 00:33

Reportagem por ABEU

Catálogo Universitário

No mês do Dia Internacional da Mulher, não poderíamos deixar de indicar leituras que tratam de questões de gênero e das lutas do movimento feminista. Em março do ano passado, a coluna Catálogo Universitário já havia trazido este mesmo tema para as sugestões de livro. Mas acreditamos que este é um assunto que suscita o debate contínuo, justamente pelo fato da violência contra a mulher e outras formas de opressão ao gênero feminino continuarem a prosperar no Brasil.

Começamos indicando “A Casa das mulheres n’outro terreiro: famílias matriarcais em Salvador”, publicado pela Edufba. A obra resulta de pesquisas realizadas no bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador, entre os anos de 1992 e 2003, em duas extensas redes de parentesco matriarcais chefiadas por duas avós, e gira em torno de relações que expressão a díade Mãe-Filhos. A autora narra minuciosamente a história de duas senhoras afrodescendentes convidando o leitor a acompanhar cada trajetória da vida das personagens reais que integram o livro, mostrando as duras condições estruturais enfrentadas, desde a lenta ascensão socioeconômica dessas famílias que passam por obstáculos de viuvez, desemprego e violência doméstica até a criatividade das estratégias forjadas para enfrentá-las, como o amor, a raiva, a luta e a esperança.

“Assassinato de mulheres no Ceará”, da UdUECE, por sua vez, analisa o fenômeno da violência contra a mulher em sua manifestação mais atroz: o assassinato. A obra é fruto de uma pesquisa financiada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e pelo CNPq. Com origem no ano de 2000, foi possível observar o significativo aumento dos índices de homicídios no estado, indicando, por conseguinte, o crescimento da violência contra mulher. O intento dessa obra é refletir sobre o fenômeno e oferecer subsídios para a aplicação da Lei Maria da Penha, bem como sugerir estratégias para a formulação de políticas públicas que visem à prevenção e a redução da violência desse perfil no estado do Ceará.

Por fim, “Em defesa das mulheres”, da Editora Unesp, traz um texto histórico. Em meio à polêmica causada pelo ensaio em questão, que integra o “Teatro crítico universal”, obra de caráter enciclopédico do filósofo beneditino Jerónimo Feijoo y Montenegro, surgiram na misógina Espanha do século XVIII um sem número de livros e artigos contra e a favor das mulheres. Entre estas últimas publicações merece destaque esta obra, de Juan Bautista Cubíe, publicada em Madri em 1768, a qual permaneceu por gerações como uma síntese da memória da contenda. Cubíe, um erudito, criticava os preconceitos e as maledicências contra as mulheres, com base em conhecimentos de história e filosofia antigas, além de textos bíblicos, ressaltando que sua defesa não implicava um ataque aos homens. Para comprovar seus argumentos, ele arrolou, na última parte do livro, um repertório biográfico de mulheres ibéricas que se destacaram nas letras, ciências e armas.


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