Catálogo Universitário

Sugestões de leitura para entender a diferença entre golpes e revoluções

Cadastrado em 21/04/2019 21:03

Reportagem por ABEU

Catálogo Universitário

Há alguns anos atrás, seria difícil imaginar que chegaríamos a 2019 com o próprio governo brasileiro defendendo um revisionismo da história do país. Com militares ocupando os principais cargos do Executivo pela primeira vez desde 1985, há uma tentativa de disseminar uma outra versão da ditadura militar. Tanto o presidente como o atual ministro da Educação insistem em dizer que o regime que se iniciou em 1964 pretendia apenas evitar que um governo totalitário comunista se instalasse no Brasil. Muitos militares, inclusive, até hoje se reportam ao movimento que tomou o poder do presidente João Goulart como “revolução”, ao invés de considerá-lo um golpe de Estado. Uma concepção que é errônea até mesmo na utilização do termo escolhido: golpes, em geral, são perpetrados por forças políticas e econômicas, que muitas vezes já fazem parte do Estado, não envolvendo a população, ainda que, em alguns casos, contem com algum apoio popular. Revoluções, por outro lado, representam um movimento de grandes proporções que rompe com o paradigma político que havia até então, geralmente surgindo das bases da sociedade. Essa semana, na coluna Catálogo Universitário, vamos trazer algumas sugestões de leitura que deixam clara essa distinção, provando que o governo militar foi uma ditadura fruto de um golpe de Estado.

Primeiro, temos “O Golpe de 1964 e o regime militar: novas perspectivas”, publicado pela EdUFSCar. Embora exista rica bibliografia sobre o assunto, a distância temporal da ditadura militar, a investigação em fontes disponibilizadas recentemente, o aparecimento de novas temáticas e de novas gerações de pesquisadores (brasileiros e estrangeiros), tudo isso faz com que estejamos apenas no começo do caminho. Nesta coleção de textos o leitor pode ter uma ótima ideia do que se tem produzido de melhor sobre o movimento militar de 1964 e o regime que o sucedeu. Os processos que precederam o golpe, a construção da memória do período de 1964 a 1985, as diversas formas de resistência à ditadura, as características da esquerda armada, as instituições e políticas específicas do regime são aspectos reunidos aqui num só volume. Sua leitura é uma introdução útil ao estudo de uma das fases mais trágicas e complexas de nossa história. A partir daqui, o leitor interessado no tema, munido de um primeiro mapa de viagem, pode alçar voos mais amplos, procurando entender esse território ainda a explorar, que é o Brasil da época da ditadura.

Para fazer um contraponto, temos a extensa Coleção Revoluções do século 20, da Editora Unesp. São 20 títulos que já fazem parte da coletânea e que narram os principais movimentos que mudaram governos ao redor do mundo com o apoio de forças populares. Como alguns exemplos, temos a Revolução Coreana, a Revolução Sul-Africana, a Revolução Portuguesa, a Revolução Argelina e Revolução Vietnamita. As obras relatam como regimes foram derrubados em diversos países, levando à instauração de modelos políticos muitas vezes antagônicos ao que existia anteriormente em cada local.

Por fim, em “Os ícones de um terremoto”, da Editora do Diário Oficial de Sergipe – Edise, Paulo Barbosa de Araújo narra os eventos que sucederam o golpe de 64, no Brasil e em Sergipe. Feitas as devidas contextualizações, o autor nos apresenta a conjuntura que se formou no estado, a dura repressão e a resistência dos "subversivos". Através do livro passamos a conhecer os heróis não conformistas, que lutaram contra o autoritarismo e por conta disso sofreram com o cárcere e a tortura. Temos em mãos um relato de quem viveu e militou durante o regime. Assim, em todo o livro é possível perceber a frustração por conta da abrupta interrupção das reformas sociais propostas pelo governo João Goulart. Mas também, a força de quem mesmo sofrendo com o terror físico e psicológico, acredita piamente na defesa da democracia. Dessa forma à medida que analisa o golpe militar e os movimentos de resistência, "Os ícones de um terremoto" nos ajuda a compreender um conturbado período histórico brasileiro, sob o crivo de quem o vivenciou.

 


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