Madeleine

Crônica de Mario Baggio

Cadastrado em 09/06/2015 11:58
Atualizado em 09/09/2015 11:51

Texto literário por Mário Sergio Baggio

Madeleine

Foi amor ao primeiro toque. Eu estava distraída, pensando que estava louca para fazer aquilo, quando sua mão começou a percorrer minhas costas. Primeiro a ponta dos dedos, depois a mão inteira, espalmada. Senti um arrepio e fiquei inteira trêmula. Ninguém me havia acariciado assim antes, com tamanha delicadeza e, ao mesmo tempo, com tanta pegadaEle logo me pôs nos braços e me cheirou, ele está me cheirando! Não vou negar que isso me deixou completamente à mercê dele, entregue. Faltou pouco para que fizéssemos ali mesmo, em público, à vista de todos. Eu não me importaria, juro!


Fomos o mais rápido que pudemos para sua casa. Lá, não perdemos tempo. Mal entramos, ele me levou para o quarto e começou a me devorar. Foram três horas inesquecíveis de prazer e eu fiquei esgotada, mas feliz. Posso dizer o mesmo dele, que no fim sorriu, fechou os olhos levemente e deitou-se de costas, completamente saciado.

Depois de tanto frenesi ele me levou de volta, cheirou-me novamente e me pôs na estante de onde tinha me retirado e onde passo meses, talvez anos, esperando que uma cena como essa aconteça de novo. Lolita e Madame Bovary, essas duas lambisgoias com quem divido a estante, me olharam com inveja quando eu voltei, mas eu me fingi de morta e fui tirar um cochilo. Tinha que descansar um pouco, estava precisada.


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