Voz do Autor - Entrevista com a escritora Helenice Rocha

Autora da Editora FGV, Profª. Helenice Rocha fala do ensino da História no espaço escolar, processo histórico e ideologia política

Em 01/03/2016 11:53
Atualizado em 01/03/2016 12:07

Entrevista por ABEU

Voz do Autor - Entrevista com a escritora Helenice Rocha

Nesta semana, na coluna A Voz do Autor, conversamos com a professora Helenice Rocha. A autora já organizou títulos publicados pela Editora FGV, como “A História na escola” e “O ensino de história em questão”. Mestre e Doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense, a profª. Helenice é Professora Adjunta do Departamento de Ciências Humanas da UERJ. Na conversa para a ABEU, a autora falou um pouco sobre sua percepção acerca do ensino de História hoje no Brasil.

1. Em seu mais recente livro, o ensino da História nas escolas e o papel de se conhecer a história mesmo fora do espaço escolar estão no centro do debate. A partir disso, você acredita que o brasileiro conhece sua própria história, ou esta, como tantas outras áreas do conhecimento, ainda é uma disciplina pouco negligenciada pelas pessoas?

Sua pergunta envolve a suposição que a escola é o lugar exclusivo para conhecimento da história. É justamente essa a ideia que problematizamos. A partir da ideia de cultura histórica, que permeia outros aspectos de nossa vida, entendemos que o conhecimento da história nos vem pela escola, como também por outros lugares, intencionalmente ou não. Sobre a História ser negligenciada, a qualidade da educação escolar brasileira não é boa nem homogênea, por diversos fatores, então, podemos esperar que as disciplinas em geral sejam prejudicadas em sua aprendizagem.

2. Falando de um cenário mais atual, como consequência da rixa política e da polarização pela qual o Brasil passa, alguns hoje dizem haver uma doutrinação no ensino de história nas escolas. Você acha que há fundamento neste tipo de acusação ou não passa de mais uma manifestação de uma intolerância ideológica que tem surgido recentemente?

Vivemos um quadro mundial e nacional de polarização ideológica. A acusação e o patrulhamento fazem parte desse momento. A história, como qualquer disciplina, tem uma carga ideológica sim, a tarefa do professor, das instituições e dos materiais é não fazer proselitismo. Os alunos da escola brasileira devem ser educados para escolher livremente a que grupos identitários querem pertencer e aprender a respeitar os  que têm ideias diversas das suas.  

3. Por fim, como você acredita que o conhecimento dos processos históricos pode fazer parte da vida do cidadão, mesmo fora da escola? Como as pessoas podem aprender a se interessar por conhecer sua própria história?

Qualquer pessoa tem uma formação histórica, ocorrida na escola e/ou fora dela. Os meios de comunicação ocupam um papel importante nessa formação, possibilitando o acesso a um conjunto expressivo de informações e produtos culturais diversos. Ingrediente importante nessa formação é a autonomia intelectual, conseguida com conhecimento e crítica desse conhecimento. Isso, possivelmente, só a escola está capacitada a fazer.   Assim, uma boa escolarização e o acesso a diferentes meios de acesso aos bens culturais e á informação podem resultar no conhecimento da própria história.


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