Voz do técnico - Susane Barros

Voz do técnico - Susane Barros

Em 17/08/2015 00:00

Notícia por ABEU

Voz do técnico - Susane Barros

A coluna do ABEU em Rede vai mudar de nome só hoje: em vez de ser Voz do editor, teremos Voz do técnico. Pela primeira vez trazemos uma conversa com um colaborador do corpo técnico de uma de nossas associadas. Entrevistamos esta semana Susane Barros, Coordenadora Editorial da Editora da Universidade Federal da Bahia. É ela quem organiza os fluxos de trabalho durante o processo de confecção de cada uma das publicações da editora. Ou seja, Susane mantém os autores atualizados sobre as etapas de produção dos seus livros. ela sabe qual diagramador está responsável por qual obra. ela que designa o revisor que irá corrigir cada título. Enfim, um trabalho que requer máxima organização e atenção. Confira abaixo um pouco da experiência e do dia a dia de trabalho de Susane.

1. Você possui uma graduação em Biblioteconomia e mestrado em Ciência da Informação. É aparente que os livros sempre representaram algo importante para sua carreira. Você sempre se projetou trabalhando no mercado editorial ou inicialmente você pensava em outro tipo de ofício?

Os livros sempre tiveram um significado especial para mim, assim como o prazer de ler. Eu nasci num ambiente propício, devo admitir. Meus pais me estimularam bastante e à medida que fui crescendo fui desenvolvendo o hábito da leitura. Mas a biblioteca só veio fazer parte da minha vida na adolescência quando precisava pesquisar para atender as demandas da escola. Com isso passei pegar emprestado na biblioteca coisas que me pareciam interessantes. Adorava ficar circulando pelas estantes! Foi nessa época que encontrei Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, lembro bem. Eu nunca pensei que acabaria me tornando uma profissional do livro, isso foi acontecendo aos poucos. Acredito que tudo começou na graduação quando precisei pensar num plano de trabalho enquanto bolsista de iniciação científica. Inicialmente a ideia era estudar o livro eletrônico, mas havia pouquíssima coisa a respeito, nem se pensava em leitores de livros digitais aqui no Brasil. E foi conversando com uma amiga que veio a ideia de estudar o mercado editorial em Salvador. O resultado ficou registrado em vários textos apresentados em eventos e publicados em periódicos e livro, além da monografia. Em 2008 quando iniciei o mestrado fui convidada para ser assistente editorial da revista Ponto de Acesso. No período que trabalhei na revista tive a oportunidade de conhecer detalhadamente o processo editorial e realmente me identifiquei muito com o trabalho. Quando concluí o mestrado surgiu a oportunidade de trabalhar na Edufba e essa tem sido uma experiência bastante proveitosa. Acho que Flávia Rosa tem sido uma figura muito importante desde o início da minha carreira, me apoiou em vários momentos, está sempre me incentivando. Muito do que sei aprendi com ela em nossa convivência diária.

2. Na sua posição de Coordenadora Editorial da Edufba você precisa organizar um grande volume de demandas: seja de pedidos de autores, seja de livros que estão sendo diagramados pela equipe de designers. Enfim, como é lidar com os diferentes pedidos vindos de autores e conciliar isso com as demais equipes da editora que confeccionam os livros.

É bem difícil, tem que ter jogo de cintura, sobretudo porque a infraestrutura nas universidades públicas em geral fica aquém do que desejamos. Temos limitações de toda natureza, mas temos superado tudo com muito esforço e dedicação da equipe. E entendemos que produzir livros é realmente um trabalho de equipe. Todo mundo tem que fazer sua parte com responsabilidade para que o resultado final seja satisfatório. Fazemos reuniões quinzenais com os setores - revisão e normalização, editoração e assessoria de comunicação e eventos - para acompanhar o andamento dos trabalhos. É bem cansativo, mas necessário tanto para que tenhamos maior controle da produção como para que tenhamos elementos para tomar decisões de acordo com as demandas dos autores. Acredito que esse seja o ponto principal, foi a forma que encontramos para melhor articular as coisas. Com isso conseguimos também identificar bem os perfis para saber quem dá conta do quê. Acho importante destacar que na Edufba temos um bom relacionamento entre os colaboradores, trabalhamos em harmonia. Considero que este é um dos aspectos mais importantes para o crescimento e reconhecimento da editora.

3. Compartilhe com nossos leitores uma história peculiar do seu trabalho.

Acho que o que caracterizaria a maior parte das histórias é o fato de estarmos sempre sob pressão. De um lado os autores solicitando seus livros em tempo record e, do outro, a equipe querendo mais prazo. Não foram poucas as vezes que precisamos fazer alguns malabarismos. Lembro bem de um livro que lançamos ano passado de um autor bastante detalhista que fez milhares de recomendações. O livro tinha páginas coloridas, mas não seria impresso todo em offset porque trabalhamos com impressão sob demanda. Então, como de praxe, fizemos a impressão dos miolos e enviamos para a gráfica que faria o acabamento, a capa e as páginas coloridas, bem como a substituição dessas páginas nos miolos. Tomamos todos os cuidados, passamos para a gráfica todos os detalhes e tínhamos prazo. Porém, recebemos os exemplares da gráfica com problemas de paginação de toda ordem, mas já bem próximo do lançamento. E aí já viu, né? Tivemos que fazer exemplares corrigidos voando. O que acho mais engraçado é que essas coisas têm que dar errado justamente com quem não deveria, aliás, não deveria acontecer nunca, mas acontece... Outro caso que não esqueço foi o de um autor de um texto que era parte de uma coletânea que tinha mais de vinte coautores. O texto tinha umas nove páginas, imagine! E então resolvi perguntar para o autor principal do artigo se eram todos coautores mesmo, se por acaso não eram colaboradores que tinham participado indiretamente do trabalho. Bom, para encurtar a história, o tal professor se sentiu desrespeitado e solicitou que a diretora me repreendesse porque ele era um servidor público e que aquilo era uma ofensa. Dá pra acreditar?


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