A Voz do Autor

Eduardo Tudella, autor da Edufba, fala sobre iluminação no teatro

Cadastrado em 10/12/2018 11:08
Atualizado em 10/12/2018 11:38

Entrevista por ABEU

A Voz do Autor

Esta semana, na coluna A Voz do Autor, pegamos emprestada mais uma entrevista realizada pela Edufba com um dos seus autores. A conversa foi com Eduardo Tudella, que escreveu “A luz na gênese do espetáculo”, ganhador do segundo lugar na categoria “Ciências Sociais Aplicadas” do Prêmio ABEU 2018 e do Prêmio CAPES de Teses. Tudella é graduado em Direção Teatral pela Universidade Federal da Bahia, curso que iniciou após haver frequentado um curso de teatro, no antigo nível médio, na própria UFBA. Em seguida, estudou Cenografia na UniRio e, em 1990, foi aceito para o mestrado da Escola de Artes Tisch, da Universidade de Nova York. 

Deu para ver que o envolvimento de Tudella com o teatro acompanhou toda sua jornada profissional, o que culminou no seu premiado livro, que trata de aspectos específicos das relações entre a luz e a cena, acentuando a necessidade de sua discussão no Brasil. Na obra, o autor faz a ponte entre os estudos teóricos e a reprodução da história do espetáculo, estudando não só a iluminação teatral, como outros elementos que fazem parte do discurso visual de uma práxis cênica. Na entrevista ele debate alguns desses temas, esclarecendo a importância da iluminação no teatro para os leitores leigos.


Como surgiu o interesse pela iluminação teatral?

Desde os meus estudos em Direção Teatral, nos anos 1970, contando com a intrepidez da juventude, já me arriscava em tentativas na área. Depois, durante o curso de Cenografia na UniRio, o interesse se ampliou. Assim, decidi estudar a iluminação teatral. Como não era possível encontrar no ensino brasileiro, nem mesmo um curso em nível superior, descobri a pós-graduação em universidades norte-americanas, e, dentre os melhores cursos, escolhi o MFA (Master of Fine Artes) da Escola de Artes Tisch da Universidade de Nova York, de onde trouxe o título, ainda inédito no Brasil: Mestrado para o Design em Artes Cênicas. 

O que diferencia “A luz na gênese do espetáculo” do que já havia sido publicado na área?

A simplicidade do problema que originou a pesquisa, jamais tratado na universidade brasileira, mixando a atividade do artista e do pesquisador. Além disso, pude contar com um orientador competente e paciente, o Prof. Dr. Ewald Hackler, que avaliou cada uma das muitas centenas de páginas que escrevi.

Quais são as principais ideias contidas na sua obra?

Parto de um problema simples: em que momento o espetáculo exige a presença da luz? Isso gerou uma hipótese desafiadora: eu desconfiava que as relações entre a luz e o espetáculo se originam em algum momento anterior àquele que o senso comum pode inferir. Aqui, deve ser incluída a minha compreensão de que mais do que “iluminar”, acionar instrumentos, acessórios e sistemas de controle da luz artificial, é função do lighting designer - cuja versão brasileira é o “iluminador cênico” – a revelação de imagens. Essa abordagem indica não apenas o imprescindível caráter teórico-filosófico das imagens, em voga há algum tempo na academia brasileira, mas a efetiva elaboração de imagens visuais fisicalizadas na cena, o que exige formação como designer, mixada com aquela do artista das Belas Artes, e a familiaridade com o contexto cênico-espetacular. Aqui, não se pode deixar de lado o traço científico, importante para um trabalho consistente na área, envolvendo o estudo da neurociência cognitiva, incluindo o estudo das imagens mentais. Ou seja, as imagens já se encontram nas primeiras ideias do diretor/encenador de um espetáculo, mas, também, do autor de uma peça (o texto dramático-literário, formal ou improvisado). Afinal, o ser humano elabora imagens mentais nos processos cognitivos, sensoriais, emocionais, na vida. Para o artista/designer que atua nessa área, no entanto, isso não basta: ele precisa “racionar” com imagens, fazer escolhas, elaborar um logos imagético. Esse contexto inclui o conceito de visualidade e suas relações com o espetáculo, tema abordado em meu livro, e pouco amadurecido na abordagem acadêmica brasileira da cena.


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