A Voz do Autor

Entrevista com Margareth da Silva, autora de "O arquivo e o lugar", ganhador do Prêmio ABEU 2018 na categoria "Ciências Sociais Aplicadas"

Cadastrado em 17/02/2019 21:07
Atualizado em 19/02/2019 11:49

Entrevista por ABEU

A Voz do Autor

Essa semana damos prosseguimento à nossa série de entrevistas com ganhadores do Prêmio ABEU 2018, na coluna A Voz do Autor. Desta vez conversamos com a professora Margareth da Silva, que ficou com o 1º lugar na categoria Ciências Sociais Aplicadas, pelo livro “O arquivo e o lugar: custódia arquivística e a responsabilidade pela proteção aos arquivos”, publicado pela Eduff. Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense, com mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo, atualmente é membro da Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do Conselho Nacional de Arquivos.

Na entrevista, a autora esclarece conceitos apresentados em seu livro, como o de custódia, que busca garantir proteção de arquivos para que possam ser acessados integralmente pela sociedade. Além disso, Margareth da Silva fala sobre a importância da preservação da memória do país através dos arquivos e defende a transparência irrestrita para documentos produzidos pelo Estado brasileiro, que devem ser públicos. Confira abaixo a entrevista completa.

O seu livro, "O arquivo e o lugar" trata de um tema provavelmente ignorado pelo grande público, que é a custódia arquivística e os métodos de proteção de arquivos no Brasil. Poderia explicar para os nossos leitores, de forma geral, o conceito de custódia e como seu uso pode ajudar na preservação de arquivos no país?

Custódia significa basicamente guarda sob proteção. No caso dos arquivos, é importante que os documentos arquivísticos estejam protegidos contra qualquer alteração, manipulação, subtração ou perda. As instituições arquivísticas públicas e privadas têm que ter autoridade para custodiar os arquivos sob sua guarda. No Brasil, os documentos, que são produzidos pelas organizações ou mesmo pessoas, ficam vulneráveis porque não são recolhidos ou transferidos para uma instituição que tem essa responsabilidade específica: a guarda dos arquivos para sua preservação e seu acesso à sociedade.

 

No Brasil, podemos dizer que não temos muito apreço pela preservação da nossa memória. Basta vermos o que ocorreu com o Museu Nacional, negligenciado por tanto tempo, além do recente saudosismo de alguns em relação ao regime militar. Diante disso, qual a importância da preservação de documentos históricos e como podemos fomentar o acesso ao grande público, incentivando que mais pessoas busquem entender seu passado?

O objetivo da preservação dos arquivos é garantir que o cidadão e a própria administração que os produziu possam ter acesso e usar esses documentos para os mais variados fins, sejam eles garantir benefícios, imunidades, sejam para pesquisa histórica, científica. Eu diria que o público procura os arquivos, mas esses nem sempre têm a documentação solicitada. Precisamos de políticas públicas na área dos arquivos, e o Estado brasileiro tem um papel central na sua formulação e implementação, porque é o maior produtor de documentos, e precisa disponibilizar os documentos públicos.  

 

Ainda em relação a "O arquivo e o lugar", que outras disciplinas contribuem para entendermos conceitos de guarda e do arquivo como lugar, que são apresentados no livro?

A Arquivologia se beneficiaria muito com as áreas do Direito e da Administração, já que os documentos são produzidos no curso das atividades de pessoas e organizações e portanto o contexto jurídico e administrativo é fundamental para reconhecer os documentos arquivísticos no momento de sua produção, incluindo os documentos digitais, que precisam  ser identificados como documentos arquivísticos para serem preservados e acessados.

 

Por fim, gostaríamos de saber qual a importância de ganhar o Prêmio ABEU, que se dedica exclusivamente a livros universitários e acadêmicos.

Fiquei muito honrada por ter recebido esse prêmio. Sinceramente, não esperava, pois a área das Ciências Sociais Aplicadas desenvolve muitos trabalhos relevantes. Gostaria de estender também meus agradecimentos a prof. Ana Maria Camargo, que foi orientadora da tese de doutorado, que muito contribuiu para o resultado final desse trabalho, bem como o Editor da Eduff, à época do seu lançamento, Aníbal Bragança, que indicou meu livro para concorrer à premiação da ABEU.

 


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