A Voz do Autor

Entrevista com Ladjane Sousa, autora da Edufba

Cadastrado em 14/04/2019 19:26

Entrevista por ABEU

A Voz do Autor

Quando pensamos nas editoras universitárias, imaginamos livros complexos, acadêmicos, que discutem os principais temas pesquisados pelos estudiosos do país. Mas nada impede que essas editoras publiquem obras para outros nichos, como fez a Edufba. Em março foi lançado seu primeiro livro infantil: “Rainhas”, de Ladjane Alves Sousa. Para marcar este momento, trouxemos para a coluna A Voz do Autor uma entrevista que a própria Editora da UFBA publicou com a escritora. Ladjane possui graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia (2008). É mestre em Educação da linha 1 (Educação, Memória e Pluralidade Cultural) do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade – PPGEduC da Universidade do Estado da Bahia. Atualmente é integrante do Grupo de Pesquisa em Educação e Currículo – GPEC, associado ao Projeto Memória da Educação na Bahia, da Uneb. Durante a entrevista, a autora fala como surgiu o interesse em escrever para o público infantil e qual a relação do livro com o seu trabalho acadêmico. 

De onde surgiu a ideia de escrever uma obra voltada para o público infantil?

Desde muito mocinha, escrevo poesias e contos. Considero o momento de escrita um espaço profundo de intimidade comigo mesma, de autoconhecimento e formação. O escrito surgiu da necessidade de construir, entre as propostas da Escola Municipal Paulo Freire, na qual sou coordenadora pedagógica, o aprofundamento do letramento literário nas práticas escolares. A intenção inicialmente era inspirar as professoras a serem mais literárias nas práticas de ensino, pois consideramos que a literatura mobiliza a inteireza humana, a criatividade, a imaginação. Entre outras questões, a publicação dessa literatura infantil refere-se à necessidade de disponibilizar outras narrativas sobre os grupos populares e as nossas experiências cotidianas, porque é relevante construir outras referências sobre as diferentes formas de coexistir.

Que tipo de questão você quis levantar com “Rainhas”?

 “Rainhas” foi escrita com a perspectiva de traduzir o cotidiano dos sujeitos que compõem a escola e, ainda, servir como material pedagógico na formação continuada das professoras. Contribui, assim, com o desenvolvimento do projeto político pedagógico que, entre outros fatores, considera urgente problematizar as pautas dos coletivos que compõem o recinto escolar e refletir sobre nossos territórios e pertencimentos. A intenção era demarcar, de maneira lúdica, leve e prazerosa, um lugar de fala e as sensibilidades não estáticas dos subalternos.

Qual a importância da leitura durante a infância?

A leitura é fundamental para a formação da cidadania. Penso a leitura para além da codificação e decodificação, mas no seu sentido social, histórico. Apoio-me em Paulo Freire ao dizer que ler é para além de caminhar sobre as letras, mas interpretar e interferir no mundo lançando nossas palavras. Desde a infância, somos sujeitos curriculantes, como sugere Macedo e Azevedo, ou seja, interferimos do nosso lugar de infância no mundo. A leitura liberta o pensamento, o corpo, dá sentido à imaginação e criatividade. A leitura prazerosa mobiliza um universo interno extremamente misterioso e mágico.


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