A Voz do Profissional

Vanderleida Rosa de Freitas e Queiroz, Coordenadora da Editora do Instituto Federal de Goiás, comenta sobre os desafios de se gerir uma editora universitária

Cadastrado em 05/08/2018 23:54
Atualizado em 06/08/2018 10:34

Entrevista por ABEU

A Voz do Profissional

Para a coluna A Voz do Profissional desta semana, trazemos uma conversa com a profa. Vanderleida Rosa de Freitas e Queiroz, Coordenadora da Editora do Instituto Federal de Goiás. Doutora em Educação pela Universidade Federal de Goiás e Mestre em Educação pela mesma instituição, a profa. Vanderleida é ainda especialista  em Língua Portuguesa e Licenciada em Letras Modernas Português/Inglês pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pela Fundação de Ensino Superior de Rio Verde-GO (FESURV). Atualmente compõe o corpo docente do Instituto Federal de Goiás (IFG), Câmpus Goiânia, com atuação na docência da Educação Básica e Superior, na modalidade de Educação Profissional. Em nossa entrevista, a Vanderleida comentou sobre os desafios de se gerir uma editora universitária e o papel dessas instituições na divulgação do conhecimento científico. 


Profa. Vanderleida, o IFG, como uma instituição voltada para o desenvolvimento das ciências, possui uma produção acadêmica que deve ser divulgada para que o público conheça as pesquisas realizadas no país. Como você avalia o papel da Editora IFG nesse processo de dar visibilidade a esses estudos? 

O Instituto Federal de Goiás (IFG) criou a editora com o propósito de dar publicidade à produção acadêmica de seus servidores e alunos, prioritariamente, como modo de contribuir com o desenvolvimento da ciência em seus diversos campos e dimensões. A Editora IFG, com apenas três anos de existência, vem se consolidando como indispensável meio de difusão dos resultados de pesquisas e também de trabalhos de diferentes naturezas, com um alcance social já visível. Em uma instituição de ensino com atuação tão ampla quanto o IFG, que oferece cursos de ensino médio, ensino técnico, graduação e pós-graduação em 15 câmpus, a editora cumpre papel não apenas de publicação da produção científica, mas também de construção de uma identidade institucional, colaborando para que se estabeleça um diálogo efetivo entre os pesquisadores da própria instituição e entre eles e membros de outras comunidades acadêmicas e indivíduos da sociedade em geral. Chega-se a esse fim com um processo editorial qualificado, articulado à promoção de eventos nos quais se apresentem ao público as obras produzidas, que incluem palestras, minicursos, debates, cerimônia de autógrafos etc. Tendo em seu horizonte essa importante incumbência, nossa editora lançará dez obras em 2016: dois livros resultantes de dissertações e teses de pesquisadores do IFG; uma coleção institucional composta de três volumes que trata da história do IFG e da Rede Federal desde sua criação até os dias atuais; dois cadernos de pesquisa, um para publicação de trabalhos de iniciação científica dos alunos da instituição e outro temático para publicação de trabalhos de pesquisadores vinculados a programas de pós-graduação; o primeiro volume de uma revista científica e dois livros produzidos em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão do IFG sobre o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, com aporte do Ministério da Cultura. 


Pelo fato dessas publicações serem de nicho, voltada para um público específico que consome textos científicos, como conciliar este perfil de títulos publicados pela editora com a necessidade de se sustentar comercialmente? Você acredita que este é um desafio de muitas editoras universitárias?

De fato, por sermos uma editora universitária, nosso público é específico. No entanto, incluem-se entre nossos leitores pesquisadores das diversas áreas do conhecimento. Ademais, esse público tende a se tornar cada vez mais amplo, na medida em que, aos poucos, temos diversificado os tipos de publicação, adicionando ao nosso catálogo produções ligadas à arte e à cultura. Quanto à questão da sustentabilidade econômica, por sermos uma editora de natureza pública, essa não é uma questão que condiciona nossa atividade editorial, uma vez que nossas despesas são custeadas pela União, em conformidade com o orçamento da instituição. Entretanto, se isso pode ser considerado positivo para a sobrevida da editora, o mesmo não podemos dizer com relação à produtividade, pois não nos é facultado fazer investimentos em pessoal e em material necessários para ampliar o volume de nossas publicações, o que depende de uma série de medidas sobre as quais não temos poder de decisão. Outro aspecto associado a esse é a comercialização. Ainda que possamos comercializar mediante a emissão de guias de recolhimento, não podemos fazê-lo com retorno direto para a editora. Acredito, sim, que este é um desafio de muitas editoras universitárias. No caso das editoras dos Institutos Federais, esse desafio é geral. Temos uma demanda cada vez mais crescente por publicações e não temos as condições materiais e de pessoal para atendê-la. Defendemos a necessidade de construção de uma política editorial que preveja a criação de um quadro de servidores específico para as editoras e a dotação de recursos orçamentários para aquisição de materiais e de equipamentos que sirvam às especificidades do trabalho editorial. Essa ideia é compartilhada pela quase totalidade dos editores dos Institutos Federais. Tivemos a oportunidade de discuti-la no primeiro encontro nacional dos editores da Rede Federal, ocorrido em junho passado na cidade de Goiânia. Esse encontro, proposto e organizado por nós, reuniu editores representantes de todas as regiões do Brasil. Foi um passo importante no sentido da consolidação das editoras, ao abrir o diálogo sobre os desafios e as perspectivas que temos em comum. Após esse evento, nossas editoras certamente despontarão no cenário nacional com o esforço de tornar a publicação de livros uma atividade essencial para o cumprimento da função social de nossas instituições.


Por fim, gostaríamos que falasse um pouco de sua trajetória no mercado editorial e sua relação com os livros. 

Minha trajetória na seara editorial é muito recente, contingenciada por minha atividade docente na instituição. Pode-se dizer que minha vivência com os livros sempre foi a de constante leitora, completada pela prática de correção e revisão de textos presente em meus vários anos de docência de língua portuguesa e de participação em bancas de qualificação e defesa de trabalhos acadêmicos. Recebi o convite para coordenar a Editora como um grande desafio, que vem se afirmando como uma das minhas mais felizes experiências profissionais. A produção de um livro é uma atividade gratificante, pois envolve, além de um conhecimento técnico, elevado grau de criatividade. Com minha formação em Letras, tenho contribuído, especialmente, nas etapas de preparação de originais e na revisão de provas, buscando sempre o máximo de qualidade para os textos publicados pela Editora. O que mais me encanta em todo o processo são as trocas de conhecimento, que se estabelecem no trabalho diário com a equipe, no diálogo com os autores e no contato com outros colegas também responsáveis por coordenar a produção editorial de suas instituições. 


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