A Voz do Profissional

Entrevista com Alexandre Martins Fontes, diretor executivo da Editora WMF Martins Fontes e da Livraria Martins Fontes Paulista.

Cadastrado em 05/05/2019 19:21

Entrevista por ABEU

A Voz do Profissional

Continuamos com nossas entrevistas com os palestrantes do 2º Seminário Brasileiro de Edição Universitária e Acadêmica, que ocorre no âmbito da 32ª Reunião Anual da ABEU, de 14 a 17 de maio, em Porto Alegre. A coluna A Voz do Profissional conversou essa semana com Alexandre Martins Fontes, graduado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, diretor executivo da Editora WMF Martins Fontes e da Livraria Martins Fontes Paulista.

Ao longo da entrevista, Martins Fontes concede seu olhar de livreiro para falar da atual crise do mercado editorial brasileiro e fala das possibilidades de retorno de crescimento para este segmento no atual cenário. Durante o Seminário, ele participará da mesa “Publicação acadêmica e científica em um cenário mundial de crise”.

 

É notório para qualquer profissional do universo livreiro a atual crise do mercado editorial brasileiro. Mas, onde esta crise está de fato? No modelo de negócio das editoras? Nas práticas das livrarias?

 

A meu ver, a crise atual (sem precedentes) do mercado editorial brasileiro deve-se, em primeiro lugar, a decisões equivocadas de duas das mais importantes redes de livrarias brasileiras: Saraiva e Cultura, que, juntas, representam (ou representavam) mais de 40% do mercado livreiro nacional. Dito isso, não podemos deixar de citar a crise política e econômica enfrentada pelo Brasil nos últimos anos, o crescimento das vendas online e a consequente (mas não irreversível) queda das margens de lucro da indústria editorial como um todo.

 

Que possibilidades de crescimento você enxerga para o mercado diante dessa crise? Quais alternativas os envolvidos na cadeia de produção e distribuição podem encontrar para contornar este cenário juntos?

 

Vejo três saídas para essa crise:

 

A. As livrarias precisam melhorar (e muito) sua performance. Em primeiro lugar, devem estar essencialmente focadas no produto livro, investir em seus acervos (valorizando o fundo de catálogo das editoras) e não abrir mão de uma equipe de profissionais experiente e competente. Uma livraria ágil e eficiente deve ser mais do que um simples depósito de livros: ela deve ser uma referência cultural dentro da cidade, onde as pessoas se encontram para conhecer seus autores prediletos e podem trocar ideias e discutir questões pertinentes às suas vidas pessoais e à vida do país. Uma livraria moderna deve oferecer a seus clientes um ambiente aconchegante, onde eles se sintam bem-vindos a passar horas com seus amigos e seus pares.

 

B. A indústria editorial brasileira deve se unir em torno de uma prática de descontos que permita a sobrevivência do pequeno livreiro e da indústria como um todo. SNEL, CBL, ABEU (entre tantas outras associações ligadas ao mundo dos livros) devem se unir para que se estabeleça no Brasil um acordo de classe semelhante ao Net Book Agreement que prevaleceu por muitos e muitos anos no Reino Unido.

 

C. O Estado brasileiro deve cumprir seu papel primordial de oferecer uma educação pública (justa, democrática, universal) de qualidade para sua população. Será que ainda podemos sonhar com isso? A esperança é ultima que morre, não é mesmo?

 

Por fim, gostaríamos de saber sua percepção em relação à inserção das editoras universitárias no mercado editorial. Acha que elas participam da competição com demais editoras comerciais de igual para igual? Ou ainda estão restritas aos nichos da academia?

 

A editoras universitárias precisam, acima de tudo, repensar suas estratégias de distribuição. De um modo geral, os livros publicados por editoras universitárias no Brasil são muito mal distribuídos.

 


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