Carta de Porto Alegre

Carta de Porto Alegre

Documento assinado durante a 32ª Reunião Anual da ABEU


CARTA DE PORTO ALEGRE

A 32ª edição da Reunião Anual da ABEU e a 2ª edição do Seminário Brasileiro de Edição Universitária, que trazem como tema “O presente do livro universitário: velhos desafios, novas adversidades”, ocorrem em um momento singular da conjuntura brasileira. O panorama atual acrescenta aos velhos desafios do trabalho das editoras universitárias, novas demandas ainda não totalmente conhecidas na sua integridade.

Como reconhecer os desafios que persistem e as adversidades que se apresentam a cada dia senão pelo caminho do autoconhecimento e da identificação de quem somos e de quem é o outro que caminha na mesma direção?

Compreender as semelhanças e também as diferenças parece ser a chave da sobrevivência desejada, que nos permite enxergar e sentir com mais clareza o contexto líquido no qual atuamos e suas particularidades.

A crise social, política e econômica sem precedentes que se avoluma trágica e ameaçadoramente neste Brasil de maio de 2019 exige toda a atenção e ação. Este cenário se associa ao desmonte das políticas públicas de educação, cultura e ciências, o contingenciamento de recursos das Instituições Federais de Ensino, os cortes de recursos para a pesquisa e a pós-graduação, o desinvestimento nas universidades estaduais/federais e, por fim, a não implementação do Plano Nacional do Livro e da Leitura. O impacto quase inevitável em nosso fazer editorial não pode ser deixado de lado.

O trabalho realizado pelas editoras universitárias está diretamente relacionado ao sucesso dos empreendimentos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos nas instituições acadêmicas. Com um total de 122 associadas e um catálogo ativo de 22.123 títulos, a ABEU tem representado o segmento das editoras universitárias em eventos acadêmicos, culturais e políticos do setor, no Brasil e no exterior. As obras das editoras universitárias primam pela qualidade do conteúdo científico e pela relevância cultural e intelectual, tendo crescido o número de premiações recebidas nos concursos do segmento livreiro.

A posição da ABEU é de defesa irrestrita da manutenção dos investimentos em cultura, educação e pesquisa, da manutenção e ampliação dos investimentos em produção científica e do livre exercício do pensamento e da ação coletiva. Nossa luta tem sido pelo livro como direito humano ao conhecimento e à cultura. Uma sociedade democrática e desenvolvida não se constrói sem educação, sem livros e sem leitura. Não há como contornar a crise, senão com o emprego do que temos de melhor: a ética; o respeito à vida, aos seus valores; a união e o senso de igualdade; o respeito ao próximo; o senso de humanidade; a resiliência; a capacidade inesgotável de aprender e ensinar; a criatividade que nos impulsiona no trabalho incansável de difusão da ciência e do conhecimento; a defesa intransigente da verdade; nossos vínculos; nossa união. Manteremos a convicção de que a força que nos fez andar juntos na ABEU, nas últimas três décadas, decorre da crença inabalável de que a educação é o único caminho para nos projetar como nação: é a única saída como possibilidade civilizatória. E a publicação científica é peça-chave desse processo.

Porto Alegre, 16 de maio de 2019

Material complementar