A Voz da Nossa História

Entrevista com Ailton Sampaio, idealizador do Programa Interuniversitário de Distribuição de Livro (PIDL)

Em 03/04/2017 10:31

Entrevista por ABEU

A Voz da Nossa História

Esta semana, a coluna A Voz da Nossa História traz uma conversa com o idealizador do Programa Interuniversitário de Distribuição de Livro (PIDL), que até hoje é responsável pela integração das editoras universitárias e circulação dos livros entre essas entidades. O programa, pensado pelo professor Ailton Sampaio, acabou por contribuir para a consolidação da ABEU. Hoje ele é professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA), vinculado à Escola de Belas Artes, onde ministrava a disciplina de Fotografia, sua principal área de atuação, tendo realizado inúmeros trabalhos e exposições. Foi também diretor do Centro Editorial e Didático da UFBA, órgão que antecedeu a Editora da universidade, o que lhe deu a experiência necessária para pensar em soluções para a comercialização e difusão do livro universitário. Na entrevista, Ailton conta sobre o processo de concepção do PIDL e resgata lembranças do início da consolidação das editoras universitárias no mercado editorial.

1. O senhor foi responsável pela ideia e concepção do PIDL - Programa Interuniversitário de Distribuição de Livro, que foi o que acabou por, eventualmente, proporcionar a criação da ABEU. De onde veio a vontade e necessidade de criar este programa?

Não havia uma prioridade de criação do Programa. Eu tinha convicção que o livro publicado pelas universidades precisava circular. Ser de fato comercializado, algo que era de certo modo proibido no setor público. Daí, começamos a atender pedidos de livros que chegavam ao Centro Editorial e Didático da UFBA, através do reembolso postal. Em 1982, houve o I Encontro Nordestino de Editoras Universitárias, na Universidade Federal do Ceará. Discutiu-se, na ocasião, a problemática do livro publicado pelas universidades, em particular a sua circulação. Os editores presentes decidiram iniciar uma sistemática de distribuição desses livros, intercambiando entre eles da região Nordeste, algo que aos poucos foi agregando outras universidades de todo o país. Em 1986, já tínhamos 36 editoras participando e, neste ano, fiz uma apresentação na 43ª Reunião Plenária do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), que foi realizada em Salvador. Buscamos também o apoio da Secretaria de Educação Superior (SESu) e de outras entidades do livro já existentes, como a CBL.

2. Para você, qual a importância do livro universitário no contexto do mercado editorial?

Destaco a importância do livro universitário como sendo o livro que tem como público-alvo os estudantes das universidades, dando apoio às disciplinas dos diversos cursos.

3. Qual principal lembrança você guarda dos tempos de formação da ABEU?

A maior lembrança é o crescimento de um movimento que aos poucos foi agregando as editoras universitárias de várias regiões do país, independentemente de sua dimensão. Também me recordo das reuniões periódicas que aconteciam para discussão dos problemas comuns das universidades. Já as noites eram de descontração nos bares das cidades (risos).

4) Por fim, o que você espera para o futuro da ABEU?

Espero que as universidades, através das suas editoras, promovam os autores de primeiro livro e que cada vez mais essas editoras se consolidem. Quanto à Associação, que ela consiga dialogar com as instâncias superiores para a superação dos problemas que ainda persistem, sobretudo aqueles administrativos e burocráticos.


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