A Voz do Profissional

Manoel Barral Netto, Vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, inaugura série de entrevistas com convidados da 31ª Reunião Anual da ABEU

Em 09/04/2018 11:58
Atualizado em 09/04/2018 17:02

Notícia por ABEU

A Voz do Profissional

A partir desta semana, iniciamos uma série de entrevistas na coluna A Voz do Profissional com os palestrantes convidados do 1º Seminário Brasileiro de Edição Universitária e Acadêmica e da 31ª Reunião Anual da ABEU. A ideia é trazer uma prévia e mostram o que pensam aqueles que movimentarão os debates durante o evento, que ocorre entre 22 e 25 de maio.


Para começar, falamos brevemente com Manoel Barral Netto, que irá fazer parte da mesa “Diálogos de Encerramento – quais avaliações, quais caminhos, quais perspectivas?”. Vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz e doutor em Patologia Humana, foi diretor da Fiocruz Bahia e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Barral é ainda Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, além de membro do Comitê Gestor do Fundo Setorial de Saúde (MCTI) e do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Na entrevista falamos sobre o atual estado do investimento em pesquisa no Brasil e o papel das editoras universitárias na difusão dessa produção científica.

Para quem sempre atuou como pesquisador e autor de destaque, inclusive sendo reconhecido como Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, como o senhor analisa a situação atual da pesquisa científica no Brasil? Muito se fala dos cortes orçamentários que as instituições sofreram, mas existem saídas para manter vivas as pesquisas para além dos problemas de verba?

A ciência no Brasil enfrenta os desafios mundiais que passam pela sua própria credibilidade na sociedade influenciada pelo problema da reprodutibilidade, a necessidade de se comunicar melhor com a sociedade, por exemplo. Também sente a necessidade de abrir seus dados de forma sistemática, o que permite sua melhor utilização, entre vários outros desafios globais. A nossa situação se agrava pelo grave desfinanciamento que enfrentamos no momento. Nunca houve investimento privado de larga monta para a ciência no Brasil. O governo federal sempre foi o financiador principal e, em período recente, vários estados investiram de forma importante através das Fundações de Apoio. Estas duas fontes entraram em quase colapso,
com raras exceções.

Vive-se um momento no qual o “produtivismo” acadêmico é a palavra de ordem. O que se espera de editoras universitárias para que de fato preservem a qualidade de suas edições e não sejam meros canais de disseminação desse “produtivismo”?

O produtivismo e suas vertentes de exagerado quantitativismo atingem mundialmente a atividade científica. Ela reflete um uso inadequado de indicadores. Contudo, não é suficiente queixar-se desta tendência sem oferecer alternativas para a adequada avaliação, visto que a avaliação é necessária para evitar a inadequada utilização de recursos largamente públicos. A instituições acadêmicas comprometidas com a qualidade, aí incluídas as editoras universitárias, devem articular a apresentação de propostas alternativas de avaliação.

 


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