Catálogo Universitário

Uma reflexão sobre liberdade

Em 18/09/2017 13:46
Atualizado em 19/09/2017 15:21

Notícia por ABEU

Catálogo Universitário

O Brasil deixou de ser oficialmente colônia de Portugal há 195 anos, em 7 de setembro de 1822. Na época, ainda que o ato tenha representado de fato o rompimento com a coroa portuguesa, foi mais um gesto político do colonizador, que já não tinha como sustentar o vasto território no “novo mundo”. Ainda assim, celebramos até hoje este momento, sempre associando o episódio da independência com a ideia de liberdade. No entanto, permanecemos livres até nos percebemos acorrentados por outras forças que subjugaram nosso livre arbítrio. Nos libertamos de Portugal para, muito anos depois, viver sob a ditadura de Getúlio Vargas e, logo após, sob o regime militar. Por que, então, o fim da ditadura que se iniciou em 1964 também não é marcada por comemorações cívicas? Talvez porque saímos de um regime autoritário para dar vez a um sistema cleptocrata, e portanto nem podemos nos dar o luxo de cantar vitória. Então, seria a liberdade relativa? É um ideal cujo sentido tem diferentes significados ao longo do tempo? Na coluna Catálogo Universitário de setembro, buscamos trazer livros que iluminem nossa noção sobre liberdade para nos perguntarmos se este é um valor pelo qual vale a pena lutar.

Para começar, uma obra publicada pela Editora Unesp com um sugestivo título: “A invenção da liberdade”, de Jean Starobinski. Historiador da filosofia conhecido sobretudo por seus estudos sobre Rousseau e Montaigne, Jean Starobinski retoma aqui a análise da gênese ideológica da Revolução Francesa. Rastreando a formação do conceito moderno de liberdade pelo imaginário estético do século XVIII, Starobinski restitui a complexidade do ideário que animou esse importante fato histórico. Análises iconográficas e textuais aparecem entrelaçadas a fim de possibilitar a compreensão das modalidades de interação entre filosofia e imaginário. https://goo.gl/n2Kktx

Mas para discutir “liberdade” é preciso também entender se há limites para se dizer o que pensa. O título “Esfera pública e direitos fundamentais: estudos sobre a liberdade de comunicação”, de Soraia da Rosa Mendes, lançado pela Editora IFIBE, reflete sobre a liberdade de comunicação no âmbito do Direito e da Ciência Política, considerada como pressuposto e resultado de processos sociais de conquista e manutenção de espaços públicos que favorecem a construção e fortalecimento da democracia. https://goo.gl/QfbzB6

Outro livro fundamental para esta discussão é “Democracia, liberdade e igualdade: desconstrução e abertura de sentido”, publicado pela Editora Unisinos e escrito por Daniel Viana Teixeira. Democracia, liberdade e igualdade são termos que povoam a prática e o discurso políticos nas sociedades contemporâneas. Assumem essa posição por constituírem princípios éticos que emprestam legitimidade a essa prática e a esse discurso. A ideia que perpassa toda a presente obra é a de que o princípio democrático deve ser capaz de possibilitar a permanente atualização significativa dos princípios de liberdade e igualdade, abrindo espaço para a ampliação do escopo e da finalidade da ação política. https://goo.gl/FhgZCE
Mas existem muitas formas de liberdade também. Abordando um tema extremamente atual, e ao mesmo tempo complexo, “Liberdade religiosa: uma proposta para debate”, de Milton Ribeiro e publicado pela Editora Mackenzie, analisa as diversas relações pessoais com Deus, e as implicações sociais, como as lógicas pública e jurídica, entre outras, que a elas estão conectadas. São tratados também temas como a relação do governo com a liberdade religiosa, no Brasil e em outros países. Citando os determinantes da liberdade religiosa no Brasil, como o Iluminismo português e a necessidade de mão de obra e de povoamento, Ribeiro sugere a contribuição da Filosofia e da Sociologia, entre outras ciências, aliadas às leis e à Constituição de 1988, para o amplo entendimento da questão. Acima de tudo, o autor defende a liberdade religiosa não como um simples direito, mas como um complexo de direitos, nos quais estão implicadas várias situações jurídicas. https://goo.gl/HwwFa2

Com essas dicas, esperamos que dê para começar a perceber como podemos ser livres em nossas vidas, ainda que presos a certos costumes e sistemas.


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