Catálogo Universitário

Livros sobre a ditadura militar para resgatar o que não devemos voltar a ser

Em 16/04/2018 15:45
Atualizado em 17/04/2018 13:35

Notícia por ABEU

Catálogo Universitário

Nem todas as datas marcantes do nosso calendário trazem motivos para comemorações. Recuperamos a memória de alguns dias específicos também para gerar a conscientização sobre um fato ou acontecimento histórico. O dia 1º de abril, por exemplo, marca o início da ditadura militar no Brasil, em 1964. E como os livros também servem para fazer um resgate desses momentos, trazendo o distanciamento crítico e os alertas necessários para que os mesmos erros não sejam repetidos, resolvemos trazer para a coluna Catálogo Universitário algumas obras que tratam justamente da ditadura brasileira. Aqui, poderemos ver como ela interferiu na vida dos cidadãos das mais variadas formas e como refletir sobre suas consequências se faz especialmente urgente no momento em que vivemos, no qual a desilusão política abre brecha para soluções autoritárias.

Começando com “As provas da ditadura na política e na educação: o Inquérito Policial Militar (IPM) da Paraíba (1964-1969)”, publicado pela Editora UFPB, o livro resulta de pesquisas cujo foco central é a ditadura militar no estado da Paraíba. A obra parte da premissa de que a legitimação e a legalização das intervenções militares no Brasil nunca foram tão relevantes para os próprios militares como no período que vai do golpe de abril de 1964 até a edição do AI-5, em dezembro de 1968. São notórios os vários depoimentos de militares golpistas que procuraram justificar a intervenção como resposta a um apelo da sociedade, especialmente das classes médias preocupadas com a inflação, o comunismo e a agitação social.

Também responsável por estudar um aspecto específico da ditadura, o livro “Ditadura e homossexualidades: repressão, resistência e a busca da verdade”, da EdUFSCar, contribui para uma análise interdisciplinar das relações entre a ditadura brasileira e as várias formas de homossexualidades, hoje mais apuradas na sigla LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Em especial, pretende-se discutir de que maneiras a ditadura dificultou tanto os modos de vida de gays, lésbicas e pessoas trans quanto a afirmação do movimento LGBT no Brasil durante os anos 60, 70 e 80. Contudo, sem perder de vista essa perspectiva que destaca as violências dirigidas contra esses grupos específicos, outro foco importante da obra recai sobre as ações de resistência empreendidas por esses segmentos sociais que, ao mesmo tempo em que foram alvo privilegiado das políticas de repressão e de controle, acabaram se constituindo como atores fundamentais da redemocratização brasileira.

Por fim, Ditadura em imagem e som, da Editora Unesp, é produto da dissertação de mestrado vencedora do Concurso Brasileiro Anpocs de Obras Científicas e Teses Universitárias (2012). O livro busca apreender os enunciados sociais e culturais construídos sobre o regime militar para analisar de que forma o cinema ressignificou e vem ressignificando o passado, verificando questões ainda obscurecidas, ambiguidades e tensões presentes na interpretação do processo histórico. “Trata-se, assim, de apreender os filmes como ‘intérpretes’ do passado a partir de seu lugar no presente, procurando compreender como a sociedade concebe a si mesma e a seu passado, dentro dos limites e condições de seu tempo”, diz a autora.

Portanto, esperamos que esta breve contribuição literária sirva para manter viva a memória de um passado ao qual não devemos retornar.


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