Catálogo Universitário

Sugestões de leitura para compreender os perigos do fascismo no Brasil

Em 19/01/2020 22:38
Atualizado em 20/01/2020 17:10

Reportagem por ABEU

Catálogo Universitário

Quem poderia imaginar que no ano de 2020 um dos temas mais debatidos no Brasil seriam o nazismo, o fascismo, o integralismo, enfim, a potencial ameaça de movimentos políticos autoritários de extrema-direita? Mas essa parece ser justamente a lição que a história quer nos ensinar: a democracia é frágil e é preciso estar alerta para protegê-la. Em um momento crítico como esse, cabe àqueles que desejam pensar um futuro progressista e livre para o país que busquem entender o que nos trouxe a este ciclo de intolerância ideológica. É por isso que, para iluminar um pouco esse caminho, a primeira coluna Catálogo Universitário do ano traz algumas sugestões de leitura para entendermos as raízes dessas manifestações extremistas.

Primeiramente, “Sobre a direita: estudos sobre o fascismo, o nazismo e o integralismo”, publicado pela EDUEM, compreende artigos e outros textos a respeito da problemática dos fascismos, especialmente sobre o fascismo italiano, o nazismo alemão e o integralismo brasileiro, mas com pontes também para o fascismo dos países anglo-saxões e do Cone Sul latino-americano. Ele aborda temas amplos como a relação dos movimentos fascistas entre si e dentro da realidade internacional dos anos 1920 e 1930, a utilização dos imigrantes italianos como instrumento da política externa na Alemanha nazista e da Itália fascista. Ao mesmo tempo, sem perder de vista o enfoque internacional, engloba artigos sobre tópicos mais específicos ou regionais, como a ação integralista em vários estados e regiões do Brasil e estudos comparativos entre o integralismo e movimentos semelhantes em outros países da Europa e América. Textos sobre o Holocausto, as biografias de Hitler e Plínio Salgado, a simbologia integralista, o neonazismo e a questão da memória do fascismo italiano e do integralismo, entre outros tópicos, completam um livro que se pretende um tratado geral sobre o tema. Baseado em pesquisas em fontes primárias e em ampla bibliografia brasileira e internacional, busca ser um canal para a compreensão de movimentos, ideias e perspectivas mais vivas do que gostaríamos de imaginar.

Em seguida, temos “Nas trincheiras do Ocidente”, da Editora UEPG. Falando de fascismo, muitas vezes, encontramos leituras bastante superficiais que atribuem essa definição para qualquer movimento conservador ou fenômeno autoritário. Na realidade, o fascismo tem suas próprias características que precisam ser conhecidas. Ao mesmo tempo, o antifascismo fica reduzido apenas ao momento militar da luta de libertação nacional. Afrontar um tema assim rico de influências, de contradições e repercussões, impõe várias cautelas metodológicas. Uma delas é evitar uma representação superficial, plana e unilateral sobre a origem, desenvolvimento e herança desta experiência histórica. O fascismo é um fenômeno tipicamente italiano, nascido por causas precisas, devidas à profundidade da crise europeia antes e depois a Primeira Guerra Mundial, mas a sua influência vai bem além desta realidade histórica e geográfica. Estudar todo esse conjunto complexo de acontecimentos e lutas nas trincheiras do Ocidente é essencial para compreender um período entre os mais dramáticos na história da humanidade contemporânea. Nesse sentido, a leitura de Gramsci se torna central nesse trabalho, exatamente por não aceitar simplificações que reduzem por esquemas ou equações matemáticas as dinâmicas do ‘‘mundo grande, complicado e terrível’’.

Por fim, “Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 1930”, da Editora Unisinos, tornou-se um clássico após a publicação da primeira edição, em São Paulo (1974) pela da DIFEL. As referências elogiosas no mundo acadêmico, a presença na ditadura militar de ex-integralistas e a repercussão na imprensa foram responsáveis pelo seu sucesso editorial. A segunda edição foi enriquecida pelo Prefácio de Juan Linz, da Universidade de Yale: “O trabalho de Hélgio Trindade é uma valiosa contribuição para os que se encontram, como nós, comprometidos com um estudo comparativo dos movimentos fascistas.”

 


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