Catálogo Universitário

Livros para entender intolerância e liberdade religiosa

Em 25/01/2021 12:38

Opinião por ABEU

Catálogo Universitário

Na última quinta-feira, 21 de janeiro, foi o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi instituída em 2007 em homenagem a Mãe Gilda, Iyalorixá de Salvador que teve sua casa atacada e depredada. Em decorrência da agressão, Mãe Gilda, que tinha problemas cardíacos, morreu após um infarto. O caso é emblemático da perseguição religiosa no Brasil, principalmente às religiões de matriz africana. Em homenagem à data, a coluna Catálogo Universitário deste mês traz algumas sugestões de leitura sobre o tema da liberdade de religião no país. Considerando ainda que o atual governo federal utiliza do discurso religioso para agradar seus apoiadores, é de grande importância também o debate sobre a interseção entre fé e política no Brasil.

Primeiro temos Intolerância Religiosa e Direitos Humanos: Mapeamentos de intolerância, publicado pela Editora Metodista IPA. O livro procura fazer uma análise dos motivos e das ações de intolerância, fundamentos no discurso religioso, contrapondo com os documentos relacionados aos direitos humanos. O texto traz um mapeamento de intolerância a partir de reflexões sobre o tema, reportagens e de um histórico dos conflitos religiosos no Brasil.

Da Edufba, temos O poder dos candomblés: perseguição e resistência no Recôncavo da Bahia. A obra conta como a prática do candomblé na região de Cachoeira, na Bahia, nas primeiras décadas do século XX, foi reprimida pela imprensa e pela polícia. Fruto de pesquisa cuidadosa, o livro mostra o papel destas duas instituições na construção da imagem da cidade como "a cidade do feitiço", traçando uma geografia histórica, afro-religiosa e analítica do local.

Por fim, em Liberdade religiosa: uma proposta para debate, da Editora Mackenzie, o autor, Milton Ribeiro, analisa as diversas relações pessoais com Deus, e as implicações sociais, como as lógicas pública e jurídica, entre outras, que a elas estão conectadas. São tratados também temas como a relação do governo com a liberdade religiosa, no Brasil e em outros países. Citando os determinantes da liberdade religiosa no Brasil, como o Iluminismo português e a necessidade de mão de obra e de povoamento, Ribeiro sugere a contribuição da Filosofia e da Sociologia, entre outras ciências, aliadas às leis e à Constituição de 1988, para o amplo entendimento da questão. Acima de tudo, o autor defende a liberdade religiosa não como um simples direito, mas como um complexo de direitos, nos quais estão implicadas várias situações jurídicas.


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