A Voz da Nossa História

Entrevista com Maria Júlia Guedes, ex-supervisora de vendas da ABEU

Em 01/05/2017 16:40
Atualizado em 02/05/2017 15:25

Entrevista por ABEU

A Voz da Nossa História

A trajetória da ABEU continua a ser contada por aqueles que viveram de perto a sua evolução na coluna "A Voz da Nossa História". Hoje descobrimos um pouco mais sobre os desafios de levar tantas editoras universitárias às Bienais do Livro do Rio e de São Paulo. Para isso, conversamos com Maria Júlia Guedes, que por muitos anos trabalhou na organização dos nossos estandes nesses eventos, tendo começado em 1988. Seus esforços foram muito importantes para unificar as editoras associadas em um único estande, uma vez que, anteriormente, somente as editoras de maior porte, geralmente do Sudeste, conseguiam recursos para exporem seus livros nas Bienais. Na entrevista, Maria Júlia conta casos desses primeiros anos mais desafiadores e fala sobre sua relação com os livros universitários.

1) No início da Associação, você foi uma das grandes responsáveis por viabilizar a presença da ABEU, juntamente com as editoras universitárias, nas duas grandes bienais do Brasil: a do Rio e a de São Paulo. Como se deu, então, sua aproximação com o livro universitário e, posteriormente, para que organizasse os stands da ABEU nesses eventos?

A minha relação foi primeiro com a ABEU e, através dela, com os livros universitários. Naquela época (1988) eu trabalhava com organização de eventos e a Profa. Maria do Carmo Guedes me convidou para ajudá-la numa das primeiras Bienais do Livro de São Paulo (ainda no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera), e assim iniciei minha participação nessas exposições. Como sou uma boa leitora e gosto de livros, depois de dois anos já lá estava eu disposta e disponível para o trabalho. No começo era só na Bienal de São Paulo e a partir de 2001 comecei a organizar também a Bienal do Rio de Janeiro,

2) Para você, quais eram os principais desafios para organizar o estande da ABEU, que reunia tantas editoras?

Vamos dividir essa resposta em duas fases, cada qual com seus desafios. No início, editoras ligadas às universidades de maior porte expunham sozinhas e a ABEU, através de sua diretoria, pensou em reunir as outras editoras para uma exposição na Bienal do Livro. Até então, não havia por parte dessas editoras menores um trabalho de divulgação em grande escala, posto que suas obras atendiam às necessidades locais e regionais. Assim, com uma verba escassa, começamos com estandes pequenos, de decoração padrão (estantes não apropriadas a livros, um balcão para caixa e uma mesa com quatro cadeiras) e a identificação que tínhamos era do estande, apenas uma placa com o nome ABEU: Associação Brasileira das Editoras Universitárias. Desde essa época nos preocupamos com a arrumação por região, agrupando as editoras em estantes que obedeciam à sua localização geográfica. Para identificação, fazíamos nós mesmos as placas com os nomes das editoras e plastificávamos para colocar nas prateleiras. Era uma época com muitos problemas financeiros, porém com muita garra de todos (pessoal das editoras e do estande); foi muito gratificante!

No ano de 2000, na Bienal do Livro de São Paulo, a diretoria, sob o comando do Prof. José Castilho Marques Neto, reuniu num só espaço todas as editoras universitárias, as maiores e as menores num único local, formando o segundo maior estande do evento. Foi um acontecimento divulgado em toda a imprensa e, a partir desse ano, sempre sob o comando da ABEU, as editoras universitárias passaram a expor juntas. Foi um trabalho intenso, pois, sem ferir as características de cada uma, conseguimos montar num mesmo espaço todas editoras. As maiores com sua estrutura própria e as menores no que chamamos de “Estande Coletivo”. Não havia divisórias físicas, porém conseguimos estabelecer os limites sem precisar dessas "paredes";. O estande passou a ter uma decoração própria, com prateleiras funcionais, divulgação, programação de lançamentos e um café universitário. No estande coletivo, sempre fiz questão de trabalhar com estudantes universitários, de preferência bilíngues, para uma maior desenvoltura no atendimento. Clientes internacionais já nos conheciam e vinham direto com suas listas para que separássemos para eles.

3) Há alguma história peculiar que se lembre de alguma dessas bienais?

Muitas coisas interessantes aconteceram, principalmente após a reunião das editoras num mesmo espaço, pois iniciamos uma maior integração entre o pessoal responsável pelo andamento das vendas e divulgação das editoras. A cada ano nos encontrávamos (no Rio ou em São Paulo) e era sempre uma festa. Trabalhávamos muito, mas o ambiente era de companheirismo e não de disputa. Muitos aniversários foram lá festejados, luaus nas praias cariocas (no fim da noite, após o fechamento do dia) e jantares em São Paulo. Tivemos o caso de um diretor de editora que se sentiu tão à vontade que tirou os sapatos e caminhava pelo estande só de meias.

4) Por fim, o que você espera para o futuro da ABEU?

Minha relação com a ABEU sempre foi muito prazerosa, principalmente a partir da primeira gestão do Prof. Castilho, uma pessoa que trabalhava muito e delegava com responsabilidade. Os presidentes que o sucederam sempre foram muito amigáveis e eficientes e tive sempre um ótimo relacionamento com as diretorias. Sendo assim, tenho a certeza que todo esse trabalho que foi feito de maneira tão habilidosa e idealista não se perderá e continuará em sua trajetória vencedora.


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