Letras Vivas — 'A evolução venceu' por Eduardo Rosa

Em 06/06/2016 21:09
Atualizado em 07/06/2016 15:21

Notícia por ABEU

Letras Vivas — 'A evolução venceu' por Eduardo Rosa

Saiu para a luz, aquele desconforto. Só a penumbra era sua amiga. Na umidade do confinamento hermético estavam todos os prazeres que atiçavam seus instintos. O exíguo a exaltava. A amplitude a aplacava. Infelizmente, quis a ironia divina que o mundo lá fora fosse uma questão de sobrevivência. A comida não era uma graça que vinha de graça.

O que fazer quando tudo é ameaça? Como agir ao atravessar ruas, parques, cômodos? A tensão de se sentir ínfimo. De estar pequeno. De ser diminuto. Mais uma vez essas arbitrárias leis que regem a natureza lhe pregam uma peça: nunca a insignificância foi tão perceptível. Numa época em que a atenção se reveste de luz e cores, ela, monocromática e escura, ainda se fazia notar.

Praticava a acrobacia das cidades, como muitos outros seres deletério, filhos fugazes daquela urbe. Se esgueirava, se esquivava, se escondia. Às vezes parecia até voar. Só para alcançar um pão embolorado que não pertencia a mais ninguém. Apenas para arrebatar para si um gosto momentâneo de vitória.

Até uma sola tamanho 42 esmagar todas suas esperanças, pintando de branco-sangue o cimento da calçada.

Eduardo Rosa é jornalista e Assessor de Imprensa da ABEU.






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