Voz do Editor - Entrevista com a diretora da EDUFBA, Flávia Rosa

Na conversa, Flávia comenta sobre seus 20 anos na Editora da UFBA

Em 16/01/2017 09:02
Atualizado em 16/01/2017 15:21

Entrevista por ABEU

Voz do Editor - Entrevista com a diretora da EDUFBA, Flávia Rosa

Nosso primeiro entrevistado de 2017 na coluna A Voz do Editor já teve a oportunidade de conversar conosco anteriormente. No entanto, em 2015, quando Flávia Rosa respondeu às nossas perguntas pela primeira vez, foi como Diretora de Comunicação da ABEU, já que uma nova diretoria da Associação havia acabado de se formar. Desta vez, no entanto, ela se apresenta como diretora da Edufba, editora da qual faz parte há 20 anos. Logo, nesta entrevista Flávia Rosa irá comentar justamente sobre esta longa trajetória dentro de uma editora universitária que ela própria ajudou a conceber. Além disso, comenta ainda sobre os principais legados da Edufba e as expectativas para o futuro. Confira abaixo a conversa completa:

1) Flávia, em 2017 você completa 20 anos junto à Edufba, tendo passado por diversas transformações da própria editora e da Universidade Federal da Bahia. Poderia resumir um pouco como se deu sua evolução dentro da instituição?

A minha relação com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) se iniciou em 1976, quando fui aprovada no vestibular para Comunicação (Jornalismo). Poucos entendiam, naquela época, estudando em um colégio tradicional, ótima em matemática, a minha escolha. Mas sempre me identifiquei com as letras e com os livros. Fiz estágio no antigo Centro Editorial e Didático que originou a EDUFBA, e nos anos 1990 fui diretora desse órgão, do qual fazia parte também a gráfica da Universidade. Acompanhei desde os avanços tecnológicos, como o uso dos computadores para a área gráfica-editorial e a criação do primeiro Conselho Editorial da UFBA, no reitorado do Professor Luiz Fernando Seixas de Macedo Costa (1979 - 1983), de fato um marco histórico por sua significação como mudança de uma política de avaliação das publicações.

Participei da criação da Editora da UFBA, a proposição de seu primeiro regimento, que ocorreu quando eu ainda estava na direção do Centro Editorial e Didático (CED), em 1992, e a aprovação da proposta pelo Conselho Universitário, transformando o CED em Editora da UFBA (EDUFBA), convertendo-o em órgão suplementar, ligado diretamente ao gabinete do reitor. Somente em 26 de abril de 1993, o Conselho Federal de Educação (CFE) aprovou de fato essa transformação, já que previa a criação de novos cargos. Neste período, participei também do movimento de criação da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), que este ano completa 30 anos, idade do meu filho mais velho. Ou seja, eu não participei exatamente da instalação da ABEU, que coincidiu com o mesmo mês de nascimento do meu primeiro filho. 

Retornei em setembro de 1997 para a direção da Editora da UFBA quando se iniciou um árduo trabalho para chegarmos ao patamar que estamos hoje. Não havia mais produção na gráfica universitária, poucos servidores administrativos e apenas um programador visual que cumpria um programa de pós-graduação fora de Salvador; além disso, a Editora ocupava um espaço pequeno e a sala do diretor ficava num corredor. Mas, mesmo assim, a experiência foi ótima, pois optei por trabalhar na sala juntamente com os poucos técnicos que estavam lá. Como professora do Curso de Design Gráfico da Escola de Belas Artes da UFBA, convidei alguns alunos da minha disciplina Desenvolvimento do Projeto de Programação Visual IV, voltada para a área editorial, para estagiarem na EDUFBA, iniciando assim um programa de estágio mantido até hoje. 

Mesmo com total envolvimento com a gestão da Editora não podia me desligar das atividades e obrigações como professora, e assim fiz o mestrado em Ciência da Informação (minha pesquisa foi voltada para a questão do uso de cópias nas universidades e abordava também a questão do direito autoral), e o doutorado no Programa Multidisciplinar de Cultura e Sociedade, na época na Facom/UFBA. Busquei esse equilíbrio também de forma mais prática, me mantendo atualizada sempre com o mercado e com a indústria editorial, sem me afastar da pesquisa e do conhecimento mais teórico. Nessa trajetória, não citarei nomes, mas destaco a confiança de todos os gestores com os quais convivi e me possibilitaram contribuir com/para a UFBA. Devo dizer que sou eternamente grata, pois sou alguém totalmente realizada com a ativididade acadêmica e profissional que escolhi.   

2) Por estar a tanto tempo ma Edufba, sua trajetória profissional está muito aliada à própria trajetória da editora. Então, do que você se orgulha mais de ter concretizado dentro da Edufba? Qual a maior contribuição que foi possível viabilizar através da editora?

Creio que o reconhecimento da Editora da UFBA como um todo é o que eu destacaria. Quando somos gestores de uma instituição pública, importa, sim, o resultado do trabalho que se conquista, pois é realizado em equipe. Não há uma trabalho individual. A EDUFBA, quando eu assumi no primeiro ano, publicou cerca de 10 títulos. Hoje publicamos em torno de 115 títulos por ano. Não é da quantidade que tenho orgulho, mas da qualidade do trabalho gráfico-editorial, da seleção dos originais, do compromisso de uma equipe, do apoio de um Conselho Editorial sempre presente e da administração central da Universidade que tem de fato a compreensão da importância da atividade editorial. Gostaria de destacar que muito do que se conquistou é resultado do apoio institucional sem precedentes. Como, por exemplo, a manutenção de um programa de estágio que contempla alunos de cinco cursos: Comunicação (Jornalismo e Produção Cultural), Design Gráfico, Letras, Biblioteconomia e Administração. Esses alunos/bolsistas têm a oportunidade de vivenciar e exercitar um trabalho prático que contribui para sua formação profissional.

Outra questão que destacaria foi a adoção de uma política de acesso aberto para a UFBA, concretizada com a implantação, em 2010, do Repositório Institucional (RI), fruto do meu doutorado, e que contribui para ampliar a visibilidade da produção científica da instituição. Somente a EDUFBA dispões de mais de 450 títulos disponíveis no RI. Além de participar do projeto do Scielo Livros, também com a disponibilização de livros eletrônicos.

3) Por fim, o que você espera que a editora alcance no futuro?

A manutenção da qualidade de suas publicações, conquistar prêmios, também faz parte do reconhecimento. Além disso, algo que de fato precisamos é a consolidação (que já está a caminho) de mudanças administrativas de ordem legal para possibilitar a criação da nossa livraria virtual. Sem contar nosso grande sonho: uma livraria moderna com um café para ser um ponto de encontro de alunos, professores, técnicos e o público em geral… Aliar arte e cultura! E, claro, ampliar cada vez mais o número de leitores, independente do suporte.


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