A Voz do Autor

Izabel Nascimento, autora da Edise, fala sobre suas inspirações como cordelista

Em 20/11/2018 22:14

Entrevista por ABEU

A Voz do Autor

Voltamos com a coluna A Voz do Autor! E nesta semana trouxemos uma conversa com a pedagoga, cordelista e presidente fundadora da Academia Sergipana de Cordel, Izabel Nascimento. Em setembro deste ano, a autora lançou o livro “Sementes de Girassóis”, publicado pela Edise – Editora do Diário Oficial do Estado de Sergipe, que levou três anos para ser concluído através das redes sociais. Filha de poetas pernambucanos, radicados em Sergipe, Izabel sempre esteve ligada à cultura popular. Tendo escrito seus primeiros versos ainda na infância, atua na rede pública de ensino, no município de Maruim (SE), onde desenvolveu o projeto "Literatura de cordel em sala de aula", nas escolas da zona rural. Com habilidades também para os desenhos e pinturas realizou um trabalho de pinturas muralistas, inspiradas nas xilogravuras dos folhetos de cordel. Coordenou a Sala de Cultura Popular Manoel D'Almeida Filho, na Biblioteca Pública Epifânio Dória, em Aracaju. Na entrevista, a autora fala sobre suas influências, seu livro mais recente e a respeito do papel pedagógico do cordel.

Enquanto sergipana, oriunda de uma região na qual nasceu o cordel, e filha pais poetas, como esse pano de fundo te ajudou a se identificar e a se dedicar a essa manifestação cultural tão popular no Nordeste? 

De fato, nasci dentro do Universo do Cordel. Meus pais poetas e a cultura sempre forte e pulsante desde que me compreendo como ser. Porém, o cordel nasceu em mim aos poucos, marcante e sutilmente. Nunca pensei em me tornar escritora, o tempo foi construindo este caminho e eu o fui traçando sempre com base no que eu gosto de fazer, no que me traz alegria e paz. 

 

Gostaria que comentasse um pouco sobre o processo criativo por trás de "Sementes de Girassóis", que se iniciou nas redes sociais. Como foi usar as tecnologias informacionais atuais para criar um produto artístico que, em sua essência, tem origem no cotidiano do povo? Podemos dizer que esse foi um processo "inverso": do mundo digital para as folhas de papel?

Foi um processo inverso e inovador. “Sementes de Girassóis” nasceu nas redes sociais, num tempo onde ainda não se escrevia nem se publicava cordel. Nós poetas tínhamos (e temos) muito receio da questão autoral dos nossos versos. Mas sempre estive ciente de que a poesia pode e deve estar em todos os espaços. Foi assim que escrevi o “Cordel do WhatsApp”, e compartilhei com meus amigos do aplicativo. Uma semana depois, recebi uma enxurrada de mensagens e as pessoas passaram a me inserir em grupos de poetas do Brasil inteiro. Foi uma surpresa! A partir de então, passei a escrever diretamente nas redes sociais. Passei 1 ano sem produzir material impresso, até que as pessoas começaram a pedir a versão “material” dos versos que eu compartilhava nas redes e veio a necessidade da publicação. Todo o processo de produção do livro foi com a interação das pessoas.

 

Por fim, o que o cordel pode nos ensinar artisticamente e pedagogicamente?

Com certeza! O cordel é a literatura vestida de história, magia e arte. Como literatura, informa; pelo viés da história, eterniza; e nas veias da arte, encanta. É possível escrever tudo em versos de cordel, porém o fato vai além de escrever. O cordel fala de nós: tradições, costumes, desafios, queixas, imaginário, representatividade, com extrema criatividade e grandeza. Quem achar que é fácil fazer cordel, é só tentar. O risco é grande de descobrir que tudo o que é simples realizar precisa de altas doses de conhecimento e sensibilidade. 

 


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