A Voz do Editor

Osvaldo Maciel, diretor da Edufal, fala sobre bienais do livro e o papel das editoras universitárias

Em 19/09/2017 13:00
Atualizado em 19/09/2017 13:39

Notícia por ABEU

A Voz do Editor

No dia 02 de setembro a ABEU completou 30 anos. Portanto, após quase um ano resgatando a trajetória da nossa Associação através da coluna A Voz da Nossa História, retornamos agora a debater assuntos do mercado editorial com profissionais da área no espaço A Voz do Editor. Neste retorno, iremos abordar temas específicos com nossos entrevistados, voltados para suas experiências no ambiente livreiro. Para inaugurar, conversamos com o professor Osvaldo Maciel, diretor da Edufal, sobre bienais do livro e o papel das editoras universitárias. A Editora da Universidade Federal de Alagoas é responsável por organizar a bienal do livro deste estado, uma configuração inédita em todo o Brasil. Assim, Maciel comenta sobre os esforços para dar vida ao evento e os principais desafios que envolvem a realização de uma feira deste porte por parte de uma editora universitária.
Confira a entrevista completa:

1) Para começar, vamos tentar entender um pouco da história da Bienal do Livro de Alagoas. Como ela surgiu e por que partiu justamente da Edufal essa iniciativa? 

Há 4 gestões atrás se começou a realizar uma feira de livros que foi ganhando fôlego e que terminou sendo incorporada pela Ufal/Edufal como uma Bienal, com um nível de articulação nacional bastante forte e que teve apoio institucional regional (governo do estado e município de Maceió). Costumo dizer que essa foi uma ousadia muito bem-vinda produzida pela Edufal/Ufal.

Creio que essa iniciativa partiu da Edufal, tendo em vista que o mercado livreiro local não possuía condições de promover uma bienal. Neste tipo de situação, cabe ao Estado brasileiro assumir essa demanda. Foi mais ou menos isso o que ocorreu. De fato, a Edufal, uma editora de uma universidade pública e estatal, coordenar uma bienal do livro em Alagoas significa dizer que se o Estado fosse mínimo, como querem alguns, não haveria Bienal do livro ocorrendo em Alagoas.

2) Para você, o que significa uma editora universitária ser responsável pela realização de um evento da dimensão de uma Bienal? Quais os principais desafios envolvidos para executar esse evento?

Significa uma responsabilidade muito grande, com um peso enorme, e que se revela em várias minúcias, indo desde a construção das parcerias até as estratégias de montagem da programação etc. Esse evento já se tornou parte do calendário institucionalizado de várias entidades e órgãos, e que só é possível ser realizado com essas parcerias. De toda forma, na atual conjuntura em que vivemos, de grave crise econômica, política e moral, os esforços foram redobrados, tendo em vista que o gigantismo do evento exige não apenas capacidade de articulação política e institucional, mas também uma certa dose de criatividade e disposição de trabalho em grupo. Nesta edição, para enfrentar esse contexto adverso, além da equipe da Edufal (que vem realizando esse evento há muitos anos, de forma explêndida) incorporamos outros setores e servidores, para garantir uma melhor capacidade de coordenação entre os diversos setores.

3) Muitas das editoras universitárias associadas à ABEU estão em estados ou cidades com pouca tradição em eventos voltados para o mercado editorial. Você acredita que uma Bienal é viável em qualquer estado ou cidade e atende a qualquer tipo de cenário? Que sugestões você daria para editoras que querem impulsionar o seu mercado regional com a realização de um evento?

Creio que a aposta feita pela Edufal, num estado em que mal as livrarias se mantêm abertas, com índices de analfabetismo ainda muito altos, serve de exemplo para que outras editoras universitárias comecem a pensar nessa possibilidade. De toda forma, alerto para o fato de que esse evento foi pensado e ganhou essa importância e proporção em uma conjuntura muito distinta da que estamos enfrentando hoje. Assim, talvez seja o caso de se investir em feiras menores, com apoios mais regionalizados, para serem percebidos na concretude do fazer-se, as possibilidades de realização de uma articulação mais ampla.


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