A Voz do Profissional

Roberta Moraes de Bem, diretora da biblioteca universitária da UFSC, fala sobre acesso ao livro acadêmico e ações de estímulo à leitura

Em 11/06/2018 10:35

Entrevista por ABEU

A Voz do Profissional

Na coluna A Voz do Profissional, continuamos com as conversas com os profissionais do livro que participaram da 31ª Reunião Anual da ABEU, que ocorreu no final de maio. Essa semana entrevistamos Roberta Moraes de Bem, que participou da roda de conversa “Quais prateleiras, quais alcances?”. Graduada em biblioteconomia, mestre e doutora em engenharia e gestão do conhecimento, Roberta é diretora da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina e debateu na ocasião sobre estratégias para levar os livros acadêmicos além dos muros das universidades.

Em nossa entrevista, ela falou sobre o estímulo à leitura dentro e fora do Ensino Superior, além das iniciativas necessárias para aumentar o acesso ao livro universitário. 

Em um país onde poucos leem, como o Brasil, como estimular espaços de leitura para além das bibliotecas? Você acredita que esta também deve ser uma preocupação no Ensino Superior, onde supostamente é exigido um nível de leitura maior por parte de graduandos e pós-graduandos? Esses alunos também devem ser incentivados ao acesso aos livros? 

Os livros e as possibilidades de leitura devem estar onde as pessoas estão. Seja nas bibliotecas, nas estações de ônibus, nas escolas, nas universidades, nas praças...
Sabemos que nem sempre as pessoas tem tempo e disponibilidade de acessar a informação em seu modo tradicional. Por isso é importante que as informações possam ir até as pessoas, independente de formato, tempo e localização. A leitura deve, sim, ser incentivada no Ensino Superior, em especial a variedade do tipo de leitura e não só a leitura, mas atividades culturais de forma geral, pois em muitas situações uma atividade cultural poderá gerar o interesse por uma leitura associada à temática ou até mesmo um autor ou obra que tenha motivado o próprio evento (filme, apresentação teatral, exposição, etc.).

Logicamente, não há uma competição, mas o que é preciso hoje para manter uma biblioteca, em uma universidade pública, diante do fácil acesso a informações e publicações proporcionado pelas tecnologias digitais? Você acredita que uma biblioteca pública e um portal de acesso aberto como o SciELO Livros desempenham papéis diferentes no acesso ao conhecimento?

Acredito que as bibliotecas não correm risco de extinção e nenhum tipo de concorrência “desleal”. Entretanto, é necessário perceber que estas instituições precisam se adaptar ao contexto que vivem e ao usuário atual. Não significa que o livro impresso deixará de existir, mas significa que novas formas de acesso a informação precisam existir e não se trata de uma substituição, e sim uma intersecção, e talvez este seja o maior desafio, porque as bibliotecas precisam administrar a complexidade de ambientes tradicionais de acesso à informação e ambientes com uso intensivo em recursos de tecnologia de informação. Mais uma vez, reforço a proposta de foco no usuário. A razão de existir das bibliotecas é o seu usuário, por isso precisam estar em constante adaptação, às vezes o importante é o acesso a uma base de dados de medicina baseada em evidência; em outras, é o empréstimo de um guarda-chuvas da seção “biblioteca das coisas”.

Que outros desafios você enxerga para a gestão do conhecimentos e do que é produzido cientificamente e academicamente dentro de uma universidade?

Acho que o desafio muitas vezes é de gestão. A vida acadêmica e profissional é tão corrida que é necessário estar sempre atento ao registro, organização e disseminação da informação e do conhecimento. Vivemos um período em que se produz muito rápido, mas se não tivermos os processos e ações bem definidos e sistematizados e fizermos esse acompanhamento constantemente, perderemos os conteúdos com proporcional velocidade.
      


Tags da postagem

a voz do profissional entrevista Nível de Informação Nível de Comunicação acesso à leitura