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São João na literatura: 4 autores brasileiros que falaram de festas juninas em suas obras

A festividade é um dos símbolos mais presentes na prosa e na poesia nacional.

3 de julho de 2026
São João na literatura: 4 autores brasileiros que falaram de festas juninas em suas obras

As festas juninas são um dos pilares da cultura popular brasileira. Para além do impacto nas celebrações comunitárias, a tradição desempenha um papel fundamental na construção da identidade literária nacional, servindo historicamente de cenário e inspiração para grandes intelectuais brasileiros.

Ao longo da história da literatura, a atmosfera, os símbolos e o lirismo do São João foram registrados por autores que captaram a profundidade dessas manifestações. O reflexo dessas festividades nas páginas de grandes obras reforça a importância de preservar a memória e a riqueza cultural do festejo.

Destacamos aqui autores da literatura brasileira que trouxeram essa festividade para o universo de suas histórias.

Manuel Bandeira

No poema “Profundamente”, da obra Estrela da Vida Inteira, Manuel Bandeira evoca suas memórias de uma celebração de São João. A obra vai além da nostalgia infantil, evidenciando também as características e preceitos modernistas que marcam a identidade do autor.

“Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas (…)”

Carlos Drummond de Andrade

"Quadrilha", um dos poemas mais lembrados de Carlos Drummond de Andrade, traz dança tradicional das festas juninas já em seu título. A estrutura rítmica do texto também transmite tradição, permitindo traçar um paralelo com a dinâmica de troca de casais característica da dança.

“João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”

Cora Coralina

Em “Poema do Milho”, a poetisa, natural de Goiás, traz o milho, um dos protagonistas da culinária de festas juninas, para o centro do texto, enquanto um dos pilares da agricultura e da identidade cultural, além de um símbolo de fartura. 

“‘Jesus e São João
andaram de noite passeando na lavoura
e botaram a bênção no milho’.
Fala assim gente de roça e fala certo.
Pois não está lá na taipa do rancho
o quadro deles, passeando dentro dos trigais?
Analogias . . . Coerências.”

Graciliano Ramos 

Em São Bernardo, romance centrado na trajetória de ascensão do fazendeiro Paulo Honório, Graciliano Ramos incorpora em sua obra memórias das tradicionais celebrações juninas do sertão nordestino.

“Nas noites de São João, uma fogueira enorme iluminava a casa de seu Ribeiro. Havia fogueiras diante das outras casas, mas a fogueira do major tinha muitas carradas de lenha. As moças e os rapazes andavam em redor dela, de braço dado. Assava-se milho verde nas brasas e davam-se tiros medonhos de bacamarte. O major possuía um bacamarte, mas o bacamarte só desenferrujava nos festejos de São João.”


Imagem: Michelly Matoss, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons